Postado em 10 de Abril às 15h51

26º SBSA Especialistas debatem sobre abatedouro e segurança dos alimentos

Médico veterinário Darwem de Araújo Rosa (Foto: Suellen Santin/MB Comunicação)
 
Entre todas as etapas que compreendem a cadeia da avicultura, o abatedouro é uma das mais complexas. Essa etapa envolve toda uma estrutura industrial para garantir que o produto chegue ao consumidor com qualidade e segurança. O médico veterinário Darwem de Araújo Rosa discutiu estratégias de velocidade de processamento e qualidade do abate, nesta quarta-feira (8), durante a programação científica do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), no Centro de Cultura e Eventos de Chapecó.
Darwen abordou desafios em legislação, matéria-prima, logística e abatedouro. O médico veterinário salientou a importância de alcançar uniformidade nos lotes, olhando para o peso do frango vivo. Dentro de um mesmo lote, há variações significativas de peso e desenvolvimento, formando subpopulações que afetam o desempenho.
O consultor repercutiu sobre os efeitos que a velocidade de abate provoca na carcaça. Citou como exemplo o impacto do peso. “Como gestor, eu quero ter o menor custo de produção. Uma das maneiras de eu baixar o custo de produção é subir o peso do frango. A conta é muito simples. No entanto, preciso avaliar qual condição de instalação tenho nas linhas de evisceração para receber esse peso a mais.
De acordo com Darwen, a velocidade de abate é fator determinante, condição que impacta também na contaminação, hoje uma das principais causas de condena das carcaças. “Diferente do que alguns possam imaginar, quanto mais alta a velocidade, menor é a contaminação. Os equipamentos não foram feitos para trabalhar em velocidade lenta. Quando trabalho num ritmo lento, eu aumento o tempo de tração e isso leva a uma maior contaminação.”
Um abatedouro subutilizado também pode repercutir negativamente no rendimento da cadeia produtiva, provocando aumento do custo de produção. “Quanto mais eu abater, mais eu reduzo custos, pois o abatedouro funcionando vai exigir o mesmo número de equipe, volume de água, energia. Quando tenho um abate de baixa eficiência, com muitos cancelamentos, paradas, cai o rendimento e piora a qualidade das carcaças.”
O controle de abate e qualidade da carcaça, portanto, exige uma abordagem multifatorial. Diante desse cenário, o especialista propõe estratégias como revisar o tamanho da nória, adotar medidas para redução das patologias, padronizar o peso, precisar a sexagem de aves, pois o abate misto aumenta os indicadores de contaminação, revisar o jejum de 12 horas e avaliar se esse período pode ser estendido, além de estimular compartilhamento de metas em equipe, envolvendo agropecuária, logística e abatedouro, para melhorar o resultado final.
SEGURANÇA DOS ALIMENTOS
Ainda no mesmo bloco de debates, a doutora em Bioquímica e Biologia Molecular, Dianna Bourassa, fez um comparativo microbiológico entre países no contexto da segurança dos alimentos. Ela especificou as abordagens dos Estados Unidos, do Brasil e da União Europeia em relação ao controle de patógenos como a Salmonella, o Campylobacter, a Escherichia coli, além da resistência a antimicrobianos, na perspectiva das estruturas regulatórias, sistemas de produção e processamento, além de influências culturais.
Segundo Dianna, a Salmonella é o principal foco de regulamentações internacionais. “É o microrganismo que todos estão trabalhando para reduzir. Não vamos eliminar a Salmonella nos produtos crus - isso é inviável, mas quando falamos em controle, queremos reduzir o risco da presença desse patógeno na carne de aves.”
Embora a União Europeia, os Estados Unidos e o Brasil tenham políticas diferentes para gestão da Salmonella, todos têm como objetivo comum reduzir o risco à saúde pública. Nos EUA, por exemplo, o controle regulatório se concentra no produto final e não nas aves vivas. Já no Brasil e na União Europeia, os processos são mais similares entre si e abrangentes, cujo controle vai desde as aves vivas até o produto final. “Nos Estados Unidos, a inspeção em aves vivas, antes do abate, até começou a ser abordada por um quadro regulatório, mas devido à situação política atual, foi retirada e está em processo de revisão", explicou.
Entre as estratégias mais promissoras para avançar na segurança dos alimentos mundialmente está a padronização dos métodos de amostragem e testes. “A falta de padronização dificulta comparações diretas entre países. Alinhar métodos e padronizar o que estamos fazendo, medindo e testando ajudará muito.”
Para a doutora, a segurança dos alimentos é um desafio científico e também uma responsabilidade moral. “Os principais fatores que influenciam a segurança dos alimentos entre países incluem o quadro regulatório, que define o que podemos ou não fazer, a forma como produzimos e processamos as aves, influências culturais, desenvolvimento de novas ferramentas e treinamento técnico. Os sistemas relacionados à inocuidade da carne de aves diferem muito na forma como são implementados em cada país, mas não tanto na compreensão do que constitui um alimento seguro. O frango seguro depende de toda a cadeia, inclusive dos consumidores", concluiu.
 
PROGRAMAÇÃO GERAL
• 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura  
• 17ª Brasil Sul Poultry Fair
 
DIA 08/04 – QUARTA-FEIRA
 
         Painel Manejo
14h00 - Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes:
Lucas Schneider
Rodrigo Tedesco Guimarães
16h - Intervalo
         Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
 16h30 - Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
 17h30 - Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)  
18h30 - Eventos Paralelos
19h30 - Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
 
 
DIA 09/04 – QUINTA-FEIRA
Bloco Sanidade
8h - Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas - enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h - Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
 (15 minutos de debate)
10h - Intervalo
10h30 - Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
 (15 minutos de debate)
11h30 - Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.
  • MB Comunicação Empresarial e Organizacional - doutora em Bioquímica e Biologia Molecular, Dianna Bourassa (Foto: Suellen Santin/MB Comunicação)
  • MB Comunicação Empresarial e Organizacional - programação científica do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), no Centro de Cultura e Eventos de Chapecó. (Foto: Suellen Santin/MB Comunicação)

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