Diagnosticar as potenciais Indicações Geográficas (IGs) ou Marcas Coletivas (MCs) brasileiras é o objetivo do Sebrae Nacional por meio de avaliações presenciais e virtuais em todo o território brasileiro. Em Santa Catarina serão contempladas 19 regiões para elaboração da análise. Nesta semana, os consultores credenciados Anselmo Buss Junior e Helinton Lugarini conheceram em Chapecó as ações desenvolvidas pela Associação de Agroindústrias Alimentícias de Santa Catarina (ASAASC), proprietária da marca Saborense.
“O conceito da marca remete ao sabor catarinense, grande diferencial, associado à cultura e às técnicas artesanais, seja com tempo de cura menor do que os processos industriais ou com temperos específicos”, explicou o presidente do Instituto Nacional da Carne Suína (INSC) e da ASAASC, Wolmir de Souza. Integram a entidade pequenos produtores, que realizam o resgate da genética animal voltada à produção familiar com ciclo completo e entregam a matéria-prima para industrialização das 40 pequenas plantas frigoríficas associadas.
Até o momento, segundo Souza, foi encaminhado registro de marca coletiva, criado design das embalagens e organizado o lançamento oficial da cooperativa, que fará a comercialização dos produtos. Para execução dessas ações a entidade conta com o apoio do Sistema “S” (Faesc/Senar, Sesi, Sebrae, Senai, Senac e Sesc) e da Unochapecó.
Os próximos passos da associação, conforme sugestão dos consultores, são investimentos no desenvolvimento de um plano de comunicação com ênfase na história de cada produtor (lote a lote), no controle de gestão, na revisão dos processos produtivos e nas regulamentações dos integrantes, além de manter contato com outras IG’s do Estado. “Observamos no trabalho apresentado uma governança ativa, com coletividade bem estruturada e organizada e com bom projeto de expansão. Então, essa proposta resultará em um produto nobre e diferenciado no mercado”, avaliou Junior.
DIMENSÃO NACIONAL
Os diagnósticos serão realizados em aproximadamente 120 potenciais regiões brasileiras, além de IGs reconhecidas ou em fase de análise do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). De acordo com Helinton Lugarini, no Brasil existem 72 IGs reconhecidas que contemplam as áreas de agronegócio (53), indústria (2), artesanato (12), pedras/minerais (4) e serviços (1).
As IG’s possuem duas modalidades: Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO). A primeira, segundo Anselmo Buss Junior, caracteriza-se pela fama, pela notoriedade e pelo mercado buscar o produto a partir do nome da região. No Brasil, há 58 IPs e na região sul 17. Para DO é necessário comprovar, por meio de estudos técnicos-científicos que uma qualidade ou característica do produto está vinculado ao meio geográfico. No País há 14 DOs, cinco na região sul.
IG é a designação que identifica um produto ou serviço como originário de uma área geográfica delimitada quando determina qualidade, reputação ou outra característica essencialmente atribuída a essa origem. “IG não é criada, mas reconhecida. Contudo, o conceito de IG ainda não está muito assimilado pela população, pois muitos consomem e não sabem. O nosso desafio é disseminar essa informação”, explicou Junior.
A função da IG, segundo os consultores, é de proteger e promover quem está naquele território, o produtor/padrão de qualidade e o consumidor. “Com isso é possível agregar valor ao produto final e, principalmente, proteger a região produtora seja nos aspectos culturais ou econômicos. Além de facilitar o acesso aos mercados mais exigentes, com qualidade e competitividade”, finalizou.
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