Postado em 11 de Maio às 11h48

Santa Catarina, um Estado cooperativista

VANIR ZANATTA
Presidente do Sistema OCESC (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina)
Vanir Zanatta, Presidente do Sistema OCESC (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina)
O cooperativismo consolidou-se como uma das mais vigorosas forças econômicas e sociais de Santa Catarina, desempenhando papel decisivo na promoção do desenvolvimento regional, na geração de oportunidades e na construção de uma sociedade mais equilibrada e inclusiva. Em um cenário de constantes transformações econômicas e sociais, o modelo cooperativista demonstra, mais uma vez, sua extraordinária capacidade de unir eficiência empresarial, compromisso coletivo e prosperidade compartilhada.
Os números do cooperativismo catarinense evidenciam essa relevância. Em 2025, as 236 cooperativas associadas ao Sistema OCESC movimentaram R$ 105,7 bilhões, resultado que confirma a pujança de um modelo de negócio solidamente enraizado na cultura e na economia barriga-verde. O crescimento das receitas alcançou 15,8%, índice quase três vezes superior à expansão do Produto Interno Bruto brasileiro, que ficou em 2,3% no mesmo período. Trata-se de um desempenho que reafirma a resiliência, a capacidade de inovação e a eficiência operacional das cooperativas catarinenses.
O avanço das sobras, que cresceram 30,8% e totalizaram R$ 7,3 bilhões, demonstra que o cooperativismo gera riqueza e, sobretudo, distribui resultados. Esses recursos retornam aos cooperados na forma de investimentos, fundos estatutários e rateios, fortalecendo comunidades, estimulando novos negócios e promovendo desenvolvimento econômico sustentável em todas as regiões do Estado.
Outro aspecto emblemático é o crescimento contínuo do quadro associativo. Em apenas um ano, mais de 370 mil pessoas ingressaram nas cooperativas catarinenses, elevando o número total de cooperados para 5.078.635 cidadãos — o equivalente a 61% da população do Estado. Santa Catarina tornou-se, assim, o mais cooperativista dos estados brasileiros, evidenciando que o modelo cooperativo transcende a dimensão econômica para consolidar-se como instrumento de organização social, participação cidadã e inclusão financeira.
As cooperativas de crédito lideram esse movimento de expansão, reunindo mais de 4 milhões de associados. Também merecem destaque as cooperativas de infraestrutura, consumo e agropecuárias, segmentos que ampliam o acesso da população a serviços essenciais, energia elétrica, crédito, transporte, abastecimento e desenvolvimento produtivo. O cooperativismo catarinense mostra-se presente em todas as dimensões da vida econômica e social.
A contribuição das cooperativas à sociedade também se manifesta de forma expressiva na geração de empregos e no recolhimento de tributos. Em 2025, foram criados 7.301 novos postos de trabalho, elevando para 109.677 o número de empregos diretos mantidos pelas cooperativas. Paralelamente, o setor recolheu R$ 4,4 bilhões em tributos, recursos que retornam à população na forma de infraestrutura, saúde, educação, segurança pública e serviços essenciais.
No agronegócio, o protagonismo cooperativista alcança dimensão estratégica para a economia catarinense e nacional. As 45 cooperativas agropecuárias responderam por 60% das receitas globais do universo cooperativista e por 62% dos empregos diretos do setor. Com receita operacional de R$ 63 bilhões, as cooperativas agro seguem liderando cadeias produtivas fundamentais para Santa Catarina, especialmente nas áreas de grãos, leite, aves e suínos.
As exportações das cooperativas agropecuárias atingiram US$ 2,18 bilhões, representando 17,9% das exportações catarinenses e quase 39% dos embarques de aves e suínos. Esse desempenho reafirma a competitividade internacional do cooperativismo catarinense e sua importância estratégica para a balança comercial brasileira.
Além disso, os investimentos realizados demonstram visão de futuro e compromisso com a modernização. Em 2025, foram aplicados R$ 1,34 bilhão na ampliação e modernização de unidades industriais, enquanto para 2026 estão previstos mais R$ 1,53 bilhão em novos investimentos. São recursos destinados à inovação, agregação de valor, aumento da competitividade e fortalecimento das cadeias produtivas.
O cooperativismo catarinense prova, diariamente, que é possível conciliar crescimento econômico com justiça social, eficiência empresarial com solidariedade e competitividade global com desenvolvimento regional. Mais do que um modelo de negócio, o cooperativismo representa um projeto coletivo de prosperidade compartilhada, capaz de transformar realidades, fortalecer comunidades e construir um futuro mais equilibrado e sustentável para Santa Catarina e para o Brasil.

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