Quando e como separar família, propriedade e gestão
Treinamento do Núcleo de Sucessão da ACIC abordou rotinas, indicadores, conselhos e protocolos para sustentar o crescimento
A economista abordou como o avanço de uma empresa aumenta a complexidade de tomar decisões. (Foto: Divulgação)
Nove em cada dez empresas brasileiras têm perfil familiar, elas geram 75% dos empregos e respondem por 65% do PIB, mas apenas 30% chegam à transição da primeira para a segunda geração. Esse é um dos cenários apresentados pela Economista e Conselheira CCA/IBGC, Janete Anelli, especialista em empresas familiares, no treinamento promovido pelo Núcleo de Sucessão da Associação Comercial, Industrial, Agronegócio e Serviços de Chapecó (ACIC). A ação ocorreu na última semana, no Deatec e aprofundou na temática: “Crescimento, Profissionalização e Perpetuidade — Quando e como separar família, propriedade e gestão”.
A economista abordou como o avanço de uma empresa aumenta a complexidade de tomar decisões, pois envolve mais pessoas e novas gerações, o que exige regras e processos mais claros. Janete detalhou que o risco não está na presença simultânea da família envolvida na gestão e sim na falta de fronteiras entre esses papéis. Quando as funções se sobrepõem sem regras, decisões relevantes passam a ser orientadas por conversas informais e as prioridades se perdem por ausência de direcionamento. Nesse cenário, a empresa pode manter o crescimento, mas continuar decidindo de forma informal, o que tende a gerar retrabalho, desalinhamento e decisões que “voltam” ao ponto inicial.
A palestrante salientou que “a riqueza está na coexistência desses papéis”, mas “a governança está na clareza entre eles”, indicou que separar responsabilidades e criar instâncias é o caminho para reduzir conflitos e sustentar a profissionalização à medida que a complexidade dos processos aumenta.
Governança não possui uma receita pronta. Janete indicou que escolher as ferramentas depende do momento de maturidade da empresa e do nível de complexidade trazido pelo crescimento. a recomendação é começar pelo básico quando o negócio ainda é concentrado no fundador e em poucas pessoas fase em que a dependência excessiva limita a escala. Nesse estágio, ajudam medidas simples, como definição objetiva de papéis, criação de uma rotina de reuniões estratégicas, acompanhamento de indicadores-chave enxutos e registro das decisões relevantes para evitar que temas importantes fiquem restritos a conversas informais.
Na fase de expansão, a apresentação apontou a necessidade de organizar a tomada de decisão com estrutura e regras como organograma, alçadas de aprovação, orçamento acompanhado e acordo de sócio, para reduzir retrabalho e decisões que se repetem. Na profissionalização, entram instrumentos mais maduros, como conselho consultivo, planejamento estratégico, metas e indicadores por área e avaliação de desempenho. No eixo familiar, o alinhamento entre gerações pede fóruns e combinados próprios, como conselho de família, protocolo familiar, regras para entrada de familiares, política de distribuição de resultados e uso de ativos.
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