Postado em 26 de Agosto às 11h38

Procedimento inédito para tratamento do Esôfago de Barrett é realizado no Hospital Unimed Chapecó

Técnica oferece uma alternativa minimamente invasiva para pacientes selecionados com Esôfago de Barrett associado à displasia

A ablação por radiofrequência é um tratamento endoscópico minimamente invasivo que aplica energia térmica de forma controlada e superficial sobre a mucosa alterada.

          Uma nova possibilidade de tratamento para pacientes com Esôfago de Barrett chega pela primeira vez na região Oeste de Santa Catarina por meio do Hospital Unimed Chapecó. A ablação por radiofrequência é um procedimento endoscópico que utiliza energia térmica controlada para eliminar áreas da mucosa esofágica que apresentam alterações pré-cancerígenas.
          A técnica foi realizada pelo cirurgião do aparelho digestivo, endoscopista e cooperado da Unimed Chapecó, Dr. Maurício Spagnol, em um paciente de 71 anos com histórico prolongado de doença do refluxo gastroesofágico. Durante o acompanhamento endoscópico, foram identificadas alterações compatíveis com Esôfago de Barrett e, posteriormente, as biópsias confirmaram a presença de displasia.
          “A ablação por radiofrequência é um tratamento endoscópico minimamente invasivo que aplica energia térmica de forma controlada e superficial sobre a mucosa alterada. O objetivo é eliminar o tecido de Barrett com displasia, permitindo que o esôfago volte a ser revestido por uma mucosa mais saudável”, explica o Dr. Maurício.
          ENTENDA A CONDIÇÃO
          O Esôfago de Barrett ocorre quando o revestimento interno do esôfago sofre alterações, geralmente associadas à exposição prolongada ao refluxo gastroesofágico. Em alguns pacientes, essas alterações podem evoluir para displasia, considerada uma transformação pré-cancerígena das células.
          “Esta condição é considerada uma precursora do adenocarcinoma de esôfago. Isso não significa que todos os pacientes desenvolverão câncer, mas o risco aumenta quando já existe displasia. Por isso, a identificação precoce das alterações e a definição da estratégia terapêutica adequada são fundamentais”, esclarece o médico.
          TRATAMENTO SEM CIRURGIA ABERTA
          No procedimento realizado no Hospital Unimed Chapecó, um cateter específico é introduzido por meio do aparelho de endoscopia até a área afetada. O dispositivo libera energia de radiofrequência de maneira uniforme e controlada, promovendo uma ablação superficial e controlada da mucosa. Dessa forma, o tecido alterado pode ser tratado por via endoscópica, sem incisões cirúrgicas externas e com preservação do esôfago.
          A técnica pode utilizar dispositivos diferentes de acordo com a extensão da área comprometida. Em segmentos maiores, pode ser utilizada a ablação circunferencial, enquanto áreas menores ou residuais podem ser tratadas de maneira focal.
          Quando existem lesões visíveis ou suspeitas no segmento de Barrett, elas devem ser avaliadas individualmente e podem necessitar de ressecção endoscópica antes da ablação. A radiofrequência é utilizada principalmente para erradicar o epitélio de Barrett plano remanescente, conforme a indicação clínica e o resultado histopatológico.
          Além da aplicação uniforme e controlada da energia, a técnica apresenta como diferencial a possibilidade de tratar o Esôfago de Barrett com displasia por meio de um procedimento endoscópico, preservando o órgão e reduzindo a necessidade de tratamentos cirúrgicos mais invasivos em pacientes adequadamente selecionados.
          “A radiofrequência oferece uma aplicação uniforme e controlada da energia, com profundidade previsível. Isso reduz o dano às camadas profundas do esôfago e proporciona bom equilíbrio entre eficácia e segurança”, explica o Dr. Maurício, que complementa que o procedimento geralmente apresenta recuperação rápida e pode ser repetido quando necessário.
          TECNOLOGIA E EQUIPE ESPECIALIZADA
          A realização da técnica exigiu uma estrutura preparada para terapias endoscópicas avançadas. Entre os recursos necessários estão equipamentos de endoscopia de alta definição, plataforma geradora de radiofrequência e cateteres específicos para aplicação da energia, além de suporte anestésico, equipamentos de monitorização e estrutura hospitalar para observação do paciente.
          O procedimento também envolve atuação multidisciplinar, com participação de médicos capacitados em terapias endoscópicas avançadas, anestesiologista, equipe de enfermagem e profissionais responsáveis pelo processamento dos equipamentos. O acompanhamento também conta com o suporte das áreas de patologia e assistência hospitalar.
          DO PROCEDIMENTO À RECUPERAÇÃO
          O primeiro paciente submetido ao procedimento no Hospital Unimed Chapecó permaneceu em acompanhamento após o tratamento e apresentou recuperação satisfatória, sem necessidade de medicação para dor.
          Para o Dr. Maurício, a chegada dessa técnica ao Hospital Unimed Chapecó representa um avanço na assistência oferecida na região. “Até pouco tempo, pacientes com indicação para esse tipo de tratamento avançado frequentemente precisavam se deslocar para grandes centros. A implantação da técnica permite que eles tenham acesso a um procedimento de alta complexidade próximo de suas famílias, de seus médicos assistentes e de sua rede de apoio”, finaliza.

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