Gestão de resíduos pode agilizar rotina do agronegócio no Oeste catarinense
Diretores de software participam do Startup Summit 2026, em Florianópolis (SC), e apresentam IA que traduz dados em decisões
Ismael Christmann, sócio e CMO da startup Meu Resíduo e Fábio Tusset CEO da meu Resíduo
Em uma região marcada pelo agronegócio em seus diferentes setores, a gestão dos resíduos gerados pelas operações da rotina da empresa ligada ao agro passa a ser uma questão de eficiência operacional. Para o setor, conseguir indentificar onde o resíduo foi gerado, quem realizou o transporte e qual foi sua destinação, pode reduzir retrabalhos e facilitar controles ambientais. Assim, um software que tem o objetivo de reduzir burocracia sem eliminar responsabilidades técnicas pode aproximar gestão ambiental, logística e exigências de compradores em uma única trilha de dados.
É o que conta Ismael Christmann, sócio e CMO da startup Meu Resíduo, que está participando do Startup Summit 2026, em Florianópolis (SC). A plataforma de gestão ambiental com recursos de Inteligência Artificial transforma automaticamente dados nem sempre fáceis de entender, em boas decisões. Afinal, a empresa transforma a gestão de resíduos em um fluxo digital, com coleta de dados via aplicativo, integração com balanças, controle de documentos e indicadores, sem deixar de lado questões como custo e integração.
O diretor da empresa explica que a plataforma reúne em um mesmo ambiente dados sobre geração, armazenamento, coleta, transporte e destinação, além de documentos ambientais e indicadores. “A proposta é diminuir processos manuais e criar rastreabilidade da origem ao destino do material”, afirma.
A finalidade da plataforma ajuda, ainda, na pressão regulatória que existe em Santa Catarina. Desde junho de 2026, o SISREV é obrigatório em Santa Catarina para registro e comprovação dos sistemas de logística reversa de embalagens pós-consumo abrangidos pela norma estadual. Conforme Ismael, uma plataforma privada não substitui esse sistema oficial, mas a digitalização prévia dos dados pode facilitar a organização necessária para reportar informações.
DA OPERAÇÃO AO COMPLIANCE
O diferencial mais palpável da Meu Resíduo está no cotidiano. A ferramenta permite solicitar e confirmar coletas, criar rotas internas pelo aplicativo, imprimir etiquetas e registrar não conformidades com evidências. Na central de resíduos, os materiais podem ser identificados pelo local de armazenamento e pesados com integração à balança, alimentando automaticamente o inventário.
Para uma agroindústria com diferentes setores gerando resíduos ao longo do dia, isso pode significar menos digitação duplicada. Uma pesagem pode alimentar estoque e indicadores, uma coleta registrada no aplicativo cria evidência operacional e os dados acumulados chegam ao sistema que acompanha volume gerado, destinação, armazenamento, receitas, despesas e metas de redução.
A camada documental tenta atacar outro gargalo: licenças, condicionantes e documentos com prazo de validade entram em calendário com alertas no dashboard e por e-mail. A plataforma também prevê geração e controle de documentos como MTR, CDF e relatórios ambientais. Não significa, porém, transferir a responsabilidade à tecnologia. A própria startup ressalta que, no caso do Manifesto de Transporte de Resíduos, o software ajuda a organizar e integrar o processo, mas não elimina a obrigação regulatória.
Para uma empresa que vende a grandes compradores ou participa de cadeias exportadoras, organizar a documentação sobre resíduos permite responder com mais rapidez a auditorias e comprovar práticas ambientais. “O efeito dependerá das exigências de cada comprador e da qualidade dos dados inseridos”, observa Ismael.
Para o agro catarinense, o ganho potencial é uma plataforma capaz de combinar resíduos com uma visão mais ampla de indicadores ESG, algo relevante para empresas que precisam padronizar informações destinadas a matrizes, clientes ou operações internacionais.
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