Postado em 28 de Outubro às 14h40

Conquistar novos mercados exige adaptação cultural, parcerias e segurança dos alimentos

Reunião do Conselho da Indústria de Alimentos e Bebidas da FIESC, em Chapecó, debateu competitividade e desafios para a internacionalização

O tema abordado foi “Produtos competitivos e novos mercados”.

Conhecer os hábitos do consumidor, construir parcerias locais e garantir a segurança dos alimentos são desafios que acompanham a indústria na conquista de mercados internacionais. Esses fatores, somados às barreiras sanitárias e às condições de acesso ao mercado europeu, foram questões da reunião do Conselho da Indústria de Alimentos e Bebidas da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), realizada nesta terça-feira (27), no Instituto SENAI de Tecnologia em Alimentos e Bebidas, em Chapecó. Com o tema “Produtos competitivos e novos mercados”, o encontro reuniu representantes de indústrias, entidades e especialistas.
O vice-presidente regional Oeste da FIESC, Waldemar Antônio Schmitz, frisou a ampliação da estrutura do Instituto e sua contribuição para a pesquisa e o desenvolvimento de produtos. Segundo ele, a nova estrutura contará com mais de dez laboratórios para fortalecer o apoio às empresas do setor. O primeiro vice-presidente da FIESC, André Odebrecht, reiterou o compromisso de aproximar a atuação da Federação das necessidades das indústrias. “Estar onde as indústrias estão”, afirmou.
A presidente do Conselho de Alimentos e Bebidas da FIESC, Rosemeri Francener, ressaltou a mobilização dos empresários e a importância do trabalho conjunto para ampliar a competitividade. Também incentivou as empresas a conhecerem os serviços e as possibilidades de apoio oferecidos pela Federação, destacando a contribuição das equipes técnicas para enfrentar os desafios dos negócios.
No painel “Oportunidades e desafios para a indústria de alimentos e bebidas no mercado europeu”, a discussão mostrou que a internacionalização envolve decisões que vão além da negociação comercial. O vice-presidente para assuntos estratégicos da FIESC e diretor-presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, abordou a importância de aproximar a empresa dos consumidores internacionais e desenvolver produtos adequados à cultura dos países de destino. Também relacionou a expansão dos negócios ao fortalecimento dos produtores rurais e à sucessão nas propriedades que abastecem a indústria.
Na continuidade da participação da Aurora Coop, o gerente de P&D, Rodrigo Schwert, ressaltou que introduzir uma marca em outro país exige tempo, investimento e conhecimento do mercado. “O maior entrave que eu vejo é você ter um parceiro no país onde você vai vender”, afirmou. Ao mencionar iniciativas na China e no Chile, explicou que a construção de relações locais ajuda a compreender os consumidores e a desenvolver produtos com maior possibilidade de aceitação.
A adaptação cultural também foi um tópico abordado. Sabor, textura, formulação e apresentação precisam considerar as preferências de cada público, enquanto as exigências legais e os custos de produção influenciam a viabilidade dos projetos. Nesse processo, as parcerias contribuem tanto para o desenvolvimento técnico quanto para a inserção comercial.
O diretor de Operações da Nutrata, Fabio Marciano Zafra, destacou a inovação e a qualidade como bases para o desenvolvimento de produtos e a construção de parcerias. “É uma empresa extremamente preocupada com a qualidade de vida, com a sustentabilidade, com a qualidade dos nossos produtos. A empresa trabalha com inovação e buscando a qualidade dos nossos produtos”, apontou. Ao abordar as parcerias entre marcas, explicou que os projetos buscam preservar a experiência do produto original e atender à proposta nutricional dos suplementos. Também observou que cada parceria exige desenvolvimento conjunto, condições contratuais específicas e cuidados com a segurança dos alimentos.
O General Manager LATAM da KEMIN Pet Food & Rendering, Valdir Lucatelli, ressaltou a qualidade da estrutura industrial brasileira e o rigor dos controles sanitários exigidos pelos clientes internacionais. “É uma indústria que não deve nada para a indústria de países desenvolvidos”, afirmou. Com base em sua experiência com visitas e auditorias em diferentes países, avaliou que essas exigências fortalecem a capacidade de exportação das empresas brasileiras. Também destacou a transformação de subprodutos da agroindústria em ingredientes para a alimentação pet, criando oportunidades de negócio a partir de materiais que antes representavam um problema para as fábricas. Quando recebe os cuidados necessários de conservação e proteção, esse produto “gera uma matéria-prima de qualidade e agrega muito valor a essa nossa cadeia”, explicou.
Ao apresentar um estudo sobre as relações comerciais com a União Europeia, a analista de Inteligência Industrial – Conselhos da FIESC, Thamiris Costa, ressaltou que os ganhos potenciais com a redução de tarifas dependem também da superação das restrições de acesso.  A análise diferenciou os benefícios tarifários das exigências sanitárias e das habilitações necessárias para comercializar cada categoria de produto.
Thamiris apresentou ainda uma ferramenta que permite examinar oportunidades por produto, considerando tarifas, restrições e potencial de mercado. Segundo a analista, as particularidades de cada categoria exigem uma avaliação detalhada das condições de acesso à União Europeia. “É um caso que é muito complexo e depende muito de um estudo mais caso a caso”, finalizou.
Após o painel, os convidados puderam conhecer partes do novo prédio do Instituto SENAI de Tecnologia em Alimentos e Bebidas de Chapecó, que será inaugurado oficialmente no primeiro semestre de 2027.
 

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