Chapecoenses Marli e Samuel Rita contam com apoio da Credioeste para transformar o sonho em negócio
Casal Marli e Samuel Rita comanda a padaria da família no Distrito Marechal Bormann (Suelen Zabel/MB Comunicação)
Às cinco e meia da manhã, quando Marechal Bormann ainda desperta devagar, a porta da Cantinho do Sabor já se abre. Do lado de dentro, o dia começa com o ruído das formas, o cheiro do café, o calor dos fornos e a pressa silenciosa de quem sabe que, antes do primeiro cliente chegar, muita coisa precisa estar pronta. A padaria fica logo na entrada do Distrito onde Chapecó nasceu, em frente à escola estadual, num desses pontos em que a rotina da comunidade passa todos os dias: crianças a caminho da aula, trabalhadores em busca do pão, vizinhos que param para o café, famílias que encomendam o almoço.
Ali, entre massas, balcão e panelas, Marli e Samuel Rita construíram uma história que começou antes da padaria. Começou numa cozinha de infância, quando Marli aprendeu com a mãe que cozinhar era uma forma de cuidado. Ainda menina, observava os gestos, os temperos, o modo de sovar, mexer, provar, servir. O que primeiro parecia tarefa doméstica virou habilidade; depois, profissão e, então, destino.
Durante anos, Marli trabalhou em restaurantes, lanchonetes e padarias de Chapecó. Cumpria expediente como funcionária, mas a jornada real não terminava quando voltava para casa. No bairro São Pedro, onde moravam, preparava doces e salgados para vender a vizinhos, amigos e conhecidos. Antes de o sol nascer, subia na Biz e saía pela cidade. Levava encomendas para escolas, cruzava bairros, oferecia o que sabia fazer melhor. Naquele tempo, cada salgado e cada doce ajudavam a pagar as contas, mas também alimentavam uma possibilidade: a de um dia viver do próprio negócio.
Samuel seguia outro ritmo duro. Durante o dia, era mecânico. À noite, trabalhava como segurança. O casal conhecia a disciplina de quem não pode errar muito, porque o orçamento não permite grandes quedas. Havia filhos, aluguel, contas, cansaço e, apesar disso, uma confiança teimosa. Marli tinha talento. Samuel tinha coragem. Os dois tinham vontade de mudar de vida.
MAIS PERTO DO SONHO
A virada veio de um jeito improvável. Depois de um problema de saúde que afastou Marli do trabalho, ela passou a produzir mais em casa. Precisava de um cilindro elétrico maior para aumentar a produção dos salgados. Procurava uma máquina. Encontrou uma padaria.
A Cantinho do Sabor estava à venda no Distrito de Marechal Bormann. O negócio era pequeno, tinha poucos equipamentos e exigia mais investimento do que o casal possuía. Eles tinham R$ 10 mil. Era pouco para comprar, reformar, equipar, manter estoque e atravessar os primeiros meses. Ainda assim, viram ali a chance que talvez não voltasse. Em 2020, em plena pandemia, quando a economia encolhia, o comércio fechava as portas e a incerteza virava notícia diária, Marli e Samuel decidiram abrir caminho.
A estratégia foi simples, quase doméstica, como costumam ser as decisões mais difíceis das famílias trabalhadoras. No primeiro ano, Marli ficaria à frente da padaria, com ajuda do irmão e da cunhada. Samuel manteria os empregos, para garantir alguma segurança até que o negócio se firmasse. O plano não tinha glamour. Tinha necessidade e fé.
O começo foi difícil. O balcão precisava de produtos, a cozinha precisava de equipamentos, a clientela precisava ser conquistada e a pandemia impunha limites a qualquer tentativa de crescer. Foi nesse momento que o casal buscou apoio na Credioeste. O primeiro crédito, por meio do programa Juro Zero, serviu para comprar equipamentos e dar estrutura ao negócio recém-assumido. Para quem tinha pouco dinheiro e muitas urgências, o financiamento fez diferença.
“Hoje a gente pode dizer que a Credioeste faz parte da nossa história, porque acreditou na gente e nos apoiou desde o início. O Juro Zero para quem está começando é muito bom, porque não tem juros e é mais fácil de pagar. Para quem tinha apenas 10 mil para investir, esse empréstimo ajudou muito”, conta Marli.
A relação, iniciada pela necessidade, virou parceria. Em seis anos, Marli contratou sete operações de crédito com a Credioeste. Samuel, seis. Os recursos foram usados para capital de giro e compra de equipamentos, no compasso de uma empresa familiar que cresceu por etapas, de acordo com a demanda, a capacidade e o fôlego do casal. Nessa caminhada, o agente de crédito Valmor de Paula tornou-se uma presença constante. Não apenas um nome no contrato, mas alguém que acompanhou a evolução do negócio desde o início.
“Se a gente precisa, sabemos com quem contar. Converso com o Valmor, mando mensagem e ele responde na hora. Ele ouve o que precisamos, dá atenção, não apenas vende. Vem nos visitar, conversa e sabe exatamente o que a gente precisa. Virou um amigo”, diz Samuel.
NEGÓCIO SE TORNA REAL
No segundo ano, quando a padaria já mostrava sinais de que podia sustentar mais do que um sonho, Samuel tomou a decisão que completou a travessia. Deixou o trabalho fora e entrou de vez no negócio. O projeto de Marli passou a ser também o dele. Ela seguiu no comando da produção. Ele assumiu o atendimento e, juntos, comandavam a gestão da empresa.
Samuel fala da esposa com admiração franca, sem frase pronta. “Nós somos muito parceiros e tudo o que aprendi foi com ela. Marli é uma mulher batalhadora, que se esforça todos os dias e tem um talento incrível na cozinha. Tenho muito orgulho de ter embarcado nesse sonho dela, que acabou se tornando o meu também.”
“Ele me dá muita força e, juntos, conseguimos muitas conquistas. Olhar para trás e ver o que construímos, nossa casa, nosso carro, nossa família, é muito gratificante. Tudo isso é fruto do nosso trabalho, da nossa padaria”, destaca Marli.
A rotina do casal parece uma maratona. Acordam às 5h. Às 5h30, estão na padaria. Ficam até às 19h. São quase 14 horas de trabalho por dia. Nesse intervalo, a Cantinho do Sabor serve diariamente 70 almoços e chega a vender 10 bolos, 750 risoles, 250 pães e 100 pastéis por dia. “Sempre fui apaixonada por cozinhar. Gosto de fazer para os outros como se fosse para mim. Fazer bem feito para que gostem e voltem. E deu muito certo.”
EMPREENDEDORISMO
O que deu certo, no entanto, não cabe apenas no caixa da padaria. Cabe na casa que o casal construiu, no carro comprado e na possibilidade de oferecer aos filhos uma infância menos apertada do que a que Marli conheceu. Quando lembra do passado, ela não transforma dificuldade em enfeite. Conta apenas como era: carne, só uma vez por semana; iogurte, doces e guloseimas eram raros. Tudo tinha limite. Hoje, ao ver os filhos comerem o que desejam, Marli reconhece uma forma íntima de vitória.
“Nunca imaginei que teria uma casa com piscina. Que meus filhos pudessem comer o que quiserem. É isso que faz valer a pena”, diz.
A história de Marli e Samuel não é a de uma ascensão súbita. Não há golpe de sorte, fórmula mágica nem empreendedorismo de vitrine. Há um casal que começou com pouco, assumiu risco em um dos períodos mais incertos da história recente, buscou crédito quando precisava de fôlego e trabalhou mais horas do que a maioria conseguiria contar. A Cantinho do Sabor cresceu porque havia demanda, mas também porque havia coragem e esforço.
No Bormann, a padaria virou extensão da vida do casal. Samuel conhece quem chega ao balcão. Marli sabe o gosto dos clientes, o ritmo da comunidade. Entre um almoço e uma fornada, os dois administram uma biografia compartilhada. O negócio que nasceu do sonho dela se tornou o projeto da família.
“Empreender não é fácil. Exige esforço, coragem e dedicação. Mas tudo isso ela tem de sobra. E eu também. Foi a melhor decisão da vida”, resume Samuel.
Talvez a imagem mais fiel dessa trajetória esteja nas primeiras horas do dia, quando a rua ainda está quieta e a padaria já trabalha. Antes do movimento, antes das crianças passarem em frente à escola, antes do almoço sair, Marli e Samuel já estão ali. A luz acesa anuncia que o pão está no forno, o café logo fica pronto e mais um dia começou.
Agente de crédito da Credioeste, Valmor de Paula, se tornou amigo da família e incentivador do negócio (Suelen Zabel/MB Comunicação)
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