9ª edição do 20 Minutos reúne cerca de 800 participantes
Evento organizado pelo NJE da ACIC de Chapecó contou com palestras de Giovanni Begossi, Guilherme Lippert, Juliano Custódio e Ângelo Vargas
A 9ª edição do 20 Minutos, evento do Núcleo de Jovens Empreendedores da ACIC de Chapecó, reuniu cerca de 800 participantes. Foto: (Débora Favretto/MB Comunicação)
Conselhos, técnicas, networking e muito conteúdo para pôr em prática. A 9ª edição do 20 Minutos, evento do Núcleo de Jovens Empreendedores da ACIC de Chapecó, reuniu cerca de 800 empresários, gestores e lideranças na noite de terça-feira (4), no Centro de Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó. O encontro promoveu palestras sobre comunicação, inteligência artificial, investimentos e gestão empresarial, com Giovanni Begossi, Guilherme Lippert, Juliano Custódio e Ângelo Vargas.
O empresário e especialista em investimentos Juliano Custódio compartilhou a trajetória que o levou da carreira como engenheiro eletricista e funcionário de banco ao empreendedorismo. Ao relembrar as dificuldades enfrentadas, como duas quebras empresariais, frisou que o crescimento dos negócios depende de planejamento, capacidade de adaptação e decisões tomadas no longo prazo. Para ele, muitas empresas fracassam não por falta de oportunidades, mas pela busca por resultados imediatos ou pela demora em promover mudanças necessárias.
Ao abordar a construção da empresa que hoje administra cerca de R$ 57 bilhões em ativos, Custódio ressaltou que o crescimento sustentável exige disciplina e reinvestimento contínuo. “As empresas não morrem de fome, elas morrem de indigestão”, afirmou, ao defender que o excesso de risco e a expansão acelerada podem comprometer um negócio. Também orientou os empresários a reinvestirem os resultados na própria empresa. “Quando vocês começarem a ganhar dinheiro, devolvam esse dinheiro para a empresa. Vivam com um salário de CEO e reinvistam para continuar crescendo”, aconselhou.
O NÍVEL DO JOGO
O segundo momento foi conduzido pelo empresário, mentor e palestrante Ângelo Vargas que abordou o papel da liderança na formação de equipes mais conscientes, produtivas e alinhadas aos objetivos da empresa. Ele explicou que liderar não se limita à cobrança por resultados, mas exige clareza para mostrar ao time o padrão esperado e criar condições para que cada profissional compreenda o impacto de suas decisões. A partir de exemplos da hotelaria e de outros negócios, Vargas defendeu que o desempenho dos colaboradores também reflete a capacidade do líder de orientar, comunicar e desenvolver pessoas.
Ao resumir essa responsabilidade, Vargas destacou que “o jogador determina o nível do jogo” e que cabe a liderança elevar a percepção da equipe sobre qualidade, desempenho e propósito. Para ele, quando os profissionais não entregam o resultado esperado, o gestor precisa avaliar se comunicou a visão de forma clara. “O meu papel como líder é fazer com que o meu time entenda aquilo que eu já enxerguei. Se ele não entender o que eu enxerguei, a minha liderança não cumpriu o seu papel”, disse.
O cofundador e diretor de Marketing de Produto da V4 Kloh & Co., Guilherme Lippert, apresentou formas práticas de aplicar a inteligência artificial nos negócios. Ele destacou que o uso da tecnologia deve começar pelo mapeamento e pela organização dos processos internos, antes da escolha de ferramentas ou da automação de tarefas. Lippert esclareceu que a IA pode ampliar a produtividade e apoiar profissionais especializados, mas não substitui a análise crítica, o conhecimento técnico e a responsabilidade dos gestores na tomada de decisões.
“Inteligência artificial em processo ruim só vai acelerar o problema do negócio” alertou Lippert sobre a adoção da tecnologia sem planejamento. O especialista também defendeu que as empresas utilizem a IA para ampliar o acesso a informações, questionar estratégias e identificar oportunidades de melhoria. “Uma pessoa leiga utilizando IA não se torna especialista, mas um especialista que usa bem a IA se transforma em uma alavanca para o negócio”, expôs.
ORATÓRIA E RIQUEZA
Para encerrar o 20 Minutos de 2026, o advogado e especialista em oratória Giovanni Begossi apresentou a comunicação como uma competência que pode ser desenvolvida por meio de prática, técnica e exposição gradual. Ao compartilhar a própria trajetória, relatou que enfrentou timidez, dificuldades de relacionamento e medo de falar em público antes de iniciar os estudos em teatro, argumentação e oratória. De acordo com o palestrante, o domínio da comunicação teve papel decisivo em sua formação profissional e na construção de sua carreira.
Begossi também defendeu que conhecimento técnico, formação acadêmica e experiência não são suficientes quando o profissional não consegue comunicar seu valor com clareza. “De nada adianta você ter o melhor produto, o melhor serviço, o melhor currículo ou a melhor empresa se não souber convencer os outros disso”, sublinhou. Para ele, clareza, confiança e capacidade de persuasão influenciam diretamente os resultados profissionais, comerciais e pessoais.
Ao apresentar técnicas para reduzir vícios de linguagem e superar o medo de se expor, o especialista incentivou os participantes a gravarem a própria fala, analisarem a comunicação verbal e corporal e aproveitarem oportunidades de falar em público. “Não negar palco significa agarrar toda oportunidade de treinar a comunicação”, incentivou. Begossi acrescentou que a prática frequente ajuda o cérebro a compreender que a exposição não representa uma ameaça o que reduz a ansiedade e aumenta a segurança diante do público.
O presidente da Associação Comercial, Industrial, Agronegócio e Serviços de Chapecó (ACIC), Carlos Klaus, comentou o papel da qualificação e da troca de experiências no fortalecimento do ambiente de negócios da região e que iniciativas como o 20 Minutos contribuem para aproximar empresários, lideranças e profissionais de conteúdos estratégicos e de referências nacionais. “A ACIC acredita que o conhecimento, a inovação e o empreendedorismo são os principais impulsionadores do desenvolvimento. ”
A nucleada e integrante da organização do evento, Letícia Dalla Vecchia, explicou que a 9ª edição passou por uma reformulação de estrutura, logística e conteúdo. Neste ano, o 20 Minutos foi transferido para o Centro de Eventos Plínio Arlindo de Nes e adotou como tema central a alta performance e a mentalidade para o futuro, com quatro palestrantes de áreas diferentes, mas com abordagens complementares. “Nosso maior desafio foi encontrar quatro nomes com conteúdos distintos, mas que conversassem entre si e permitissem um debate conjunto. ” Para Letícia, o esgotamento dos ingressos confirmou a receptividade do público e representou uma conquista para a equipe responsável pela realização do encontro.
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