Postado em 11 de Junho às 09h55

SESI e SENAI Chapecó detalharam impactos da nova NR-01 nas indústrias

Evento mostrou como riscos psicossociais passaram a integrar o GRO e o PGR e discutiu medidas para prevenção e redução de afastamentos.

Cerca de 80 participantes estiveram na primeira edição do “SESI Segurança e Saúde em Foco”. (Divulgação)   
A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) por meio do SESI e o SENAI Chapecó reuniram cerca de 80 participantes na primeira edição do “SESI Segurança e Saúde em Foco” para detalhar como a atualização da NR-01 passou a exigir que empresas incluam, de forma explícita, a avaliação e o gerenciamento de fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho. A ação ocorreu nessa terça-feira (9), no SENAI Chapecó. Participaram como palestrantes as engenheiras de segurança do trabalho Jessica Luana de Souza, Paulo Vacari e Caroline Ferencz Goetten, além da especialista em saúde e psicóloga Daiane Tamires Dassi.
O gerente executivo do SESI SENAI EIL do este e extremo oeste, Jardel Carminatti, contextualizou que a atualização da NR-01 exige mudanças no ambiente de gestão de Segurança e Saúde no Trabalho nas indústrias, sobretudo por trazer os fatores de riscos psicossociais para o centro das exigências. Ele disse que, diante das novas cobranças e do volume de dúvidas no setor produtivo, muitas empresas demonstravam insegurança sobre como se adequar e quais evidências seriam necessárias para atender à norma.
Carminatti afirmou que o SESI está reforçando a estrutura e equipe técnica para apoiar as organizações nessa transição, com orientação especializada e metodologias que ofereciam mais clareza e segurança ao processo. Segundo ele, a proposta é ajudar as empresas a cumprir as exigências legais da NR-01 com objetividade, transformando o atendimento à norma em ganho de gestão, com reflexos na prevenção e na redução de efeitos como afastamentos, absenteísmo e presenteísmo.
Durante o encontro, a equipe técnica contextualizou o cenário que impulsionou o tema, citando o crescimento de afastamentos por transtornos mentais no país e mudanças regulatórias que ampliaram o olhar sobre doenças relacionadas ao trabalho. Entre os marcos apresentados estiveram o Decreto 6.042/2007, que alterou o regulamento da Previdência Social e reforçou o nexo técnico epidemiológico para transtornos mentais e do comportamento, e a Portaria GM/MS nº 5.674/2024, que atualizou a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho ao incluir fatores organizacionais como risco.
Na parte técnica, os palestrantes explicaram que a NR-01 passou a incluir expressamente os fatores psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), ao lado de agentes físicos, químicos, biológicos, riscos de acidentes e fatores ergonômicos. Também foram destacadas mudanças na forma de avaliar probabilidade e severidade de riscos ligados à ergonomia, além da maior integração entre NR-01 e NR-17 (Ergonomia), com ênfase nas condições de trabalho e na organização do trabalho.
A abordagem defendeu que a atualização pode trazer retorno prático às indústrias ao reduzir custos associados a adoecimento, absenteísmo, presenteísmo, rotatividade e retrabalho, além de favorecer produtividade, comunicação interna e reputação corporativa.
Outro ponto central foi o “depois da avaliação”. A orientação foi que o maior risco, após identificar e registrar os fatores psicossociais no inventário, é não transformar o diagnóstico em plano de ação, com medidas que ataquem causas organizacionais e não ações desconectadas do risco.
Sobre saúde mental, a psicóloga e especialista em saúde mental no trabalho Daiane Dassi (CRP 12/18171) diferenciou o gerenciamento de riscos psicossociais (olhar para o ambiente e sua organização) de ações de saúde mental (olhar para o indivíduo), destacando que ambientes com riscos não gerenciados aumentam a probabilidade de adoecimento. A apresentação listou exemplos de fatores organizacionais associados a esse cenário, como sobrecarga de trabalho, metas inatingíveis, baixa autonomia, conflitos de equipe e falta de suporte da liderança, além de efeitos como afastamentos e queda de produtividade.
PINHALZINHO
No mesmo dia, o SENAI Pinhalzinho também promoveu uma ação dentro da Semana da Indústria, com o evento Conexão Indústria e Pessoas. A iniciativa reuniu profissionais de recursos humanos para um momento de troca e aprendizado, com foco em desenvolvimento de talentos, aprendizagem industrial e nos efeitos da NR-01 nos ambientes de trabalho. A proposta foi ampliar a discussão para além dos desafios e destacar oportunidades de fortalecer o cuidado com as pessoas, contribuir para a retenção de talentos e estimular ambientes mais seguros, saudáveis e produtivos.

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