Sebrae/SC articula parceria com Embrapa para elevar produtividade de ovinos e caprinos
Cooperação levará tecnologias de genética, produção e processamento à cadeia catarinense
Encontro em Chapecó reuniu lideranças do setor e representantes do Sebrae/SC, Embrapa e Epagri para debater o desenvolvimento da cadeia
Santa Catarina quer aproximar duas pontas que ainda avançam em ritmos diferentes na cadeia de ovinocaprinocultura: uma base produtiva pulverizada, com limitações de escala e produtividade, e uma estrutura industrial que já reúne 37 frigoríficos aptos ao abate. Esse foi um dos eixos da reunião de governança da cadeia realizada nesta quinta-feira (24), no ChapeHub, em Chapecó, com representantes do Sebrae/SC, Epagri, Embrapa Pecuária Sul e lideranças do setor.
O principal encaminhamento é a construção de um acordo de cooperação técnica entre o Sebrae/SC e a Embrapa Pecuária Sul, de Bagé (RS). A proposta prevê a transferência de tecnologias de genética, manejo, sistemas de produção e processamento de carnes para propriedades, técnicos e agroindústrias catarinenses.
A estratégia procura atacar um dos gargalos centrais da atividade: aumentar a quantidade e a regularidade da oferta de animais para o mercado formal. O diagnóstico do setor aponta desafios como baixa produtividade, escala reduzida, falta de padronização, deficiência de dados integrados e grande número de produtores sem assistência técnica. Ao mesmo tempo, identifica demanda superior à oferta, presença de frigoríficos, produtores dispostos a expandir a atividade e condições de clima, solo e estrutura técnica favoráveis ao crescimento do setor.
Para o gestor do projeto estadual de ovinos e caprinos do Sebrae/SC, Filipi Andrade, a incorporação do conhecimento desenvolvido pela Embrapa pode acelerar esse processo. “Queremos melhorar a genética dos animais catarinenses e os sistemas de manejo para elevar a prolificidade, aumentar a oferta e colocar maior volume de animais no abate formal. Santa Catarina já dispõe de uma estrutura frigorífica relevante; agora precisamos dar escala à produção”, afirma.
Entre as tecnologias avaliadas estão programas de melhoramento animal, avaliação genômica, seleção para resistência à verminose e genes associados à prolificidade. A Embrapa possui estudos com genes capazes de favorecer partos múltiplos, o que permite elevar o número de cordeiros produzidos por matriz sem depender, na mesma proporção, do crescimento do plantel. Outra frente está fora da porteira. A Embrapa desenvolveu processos para produtos como presunto cru, copa e uma versão de bacon à base de carne ovina. A tecnologia pode abrir espaço para itens em porções menores, com maior vida útil e maior valor por quilo, além de reduzir a dependência da venda de cortes inteiros.
Segundo o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sul, Tiago Rolim, o pacote disponível cobre diferentes etapas da atividade. “Temos sistemas de produção, tecnologias na área de genética e genes de prolificidade que permitem partos múltiplos. Na outra ponta, existem soluções para processamento de carnes e produtos com maior valor agregado. É uma possibilidade de transferência de tecnologia desde a propriedade até a agroindústria”, diz.
A parceria também prevê capacitação técnica. A intenção é adaptar o conhecimento acumulado pela Embrapa às características das propriedades catarinenses e estruturar modelos de produção capazes de entregar animais com maior regularidade, melhor rendimento e características compatíveis com as exigências da indústria.
Na avaliação do pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Marcos Borba, Santa Catarina apresenta uma vantagem institucional para esse trabalho. Ele acompanha projetos no Estado há cerca de uma década e destaca a capacidade de articulação entre produtores, entidades técnicas, governo e mercado. “Santa Catarina tem um conjunto de instituições com experiência de atuação coordenada. Esse ambiente favorece a organização da cadeia e a incorporação de novas tecnologias”, ressalta. Para Borba, a forte presença de frigoríficos em território catarinense também cria condições distintas para aproximar pesquisa e indústria.
PRODUTIVIDADE AINDA LIMITA A ESCALA
O diagnóstico apresentado pelo coordenador da Câmara Setorial de Ovinos e Caprinos de Santa Catarina, Paulo Gregianin, mostra o potencial e os gargalos da cadeia. O Estado soma cerca de 349,5 mil ovinos, entre 12 mil e 15 mil produtores, além de 33,9 mil caprinos em aproximadamente 3,8 mil propriedades.
Na ovinocultura, a produção anual é estimada em 143 mil animais, para cerca de 210 mil matrizes produtivas — média de 68 cordeiros para cada 100 matrizes por ano. Desse total, 28,3 mil seguem para abate inspecionado, enquanto 114,7 mil correspondem à estimativa de autoconsumo. Em contraste, Santa Catarina dispõe de 37 frigoríficos habilitados, o que expõe a necessidade de maior produtividade, escala e regularidade na oferta.
O Estado também responde por 390 mil litros de leite de ovelha, ou 41,5% da produção nacional. Para a gerente regional do Sebrae/SC Oeste, Marieli Musskopf, o avanço do setor depende da articulação entre os elos da cadeia. “O Sebrae atua na organização das propriedades, na assistência aos produtores e na conexão dos produtos com o mercado, porque entendemos que esse avanço depende de planejamento e de coordenação entre produção, indústria e comercialização”, sublinha.
Entre as prioridades do setor estão: atualização dos dados do rebanho, modelos de produção, gestão zootécnica, padronização, rastreabilidade e aumento da escala e da regularidade da oferta. A parceria com a Embrapa apoiará esse processo, com foco em maior eficiência nas propriedades e oferta mais constante de matéria-prima à indústria.
SOBRE O SEBRAE
O Sebrae/SC comemora, em 2026, 53 anos de dedicação ao fortalecimento dos pequenos negócios e ao fomento do empreendedorismo em Santa Catarina. Com presença em todas as regiões do Estado, a instituição oferece soluções que impulsionam o desenvolvimento econômico e social, apoia milhões de empreendedores ao longo de sua trajetória. Reconhecido nacionalmente, o Sebrae é hoje a 4ª marca mais valiosa do país, com um ativo de R$ 33,9 bilhões, reflexo de sua credibilidade, impacto e compromisso com a transformação dos territórios onde atua. Em Santa Catarina, o Sebrae é parceiro estratégico de quem faz o estado crescer.
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