Postado em 09 de Outubro de 2019 às 17h06

SC: Novos horizontes para a bovinocultura

Por José Zeferino Pedrozo - Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

Nos últimos anos tem havido um esforço muito intenso de aperfeiçoamento da cadeia produtiva da bovinocultura catarinense para ampliar a produção de carne e de leite. No setor lácteo já somos a quarta maior bacia leiteira do País e a prioridade, agora, é elevar a qualidade. No setor cárneo, somos deficitários e importamos metade daquilo que a população catarinense consume de carne bovina.
Para atender a essas duas frentes, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) – com apoio do Sebrae, da CNA e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faesc) – desenvolve há três anos o Programa de Assistência Técnica e Gerencial. Desde 2016, quando foi implantado em território barriga-verde, o programa atendeu – nas cadeias produtivas da bovinocultura de corte, bovinocultura de leite, ovinocultura de corte, apicultura, piscicultura, maricultura e olericultura – 5.426 produtores rurais organizados em 196 turmas. Uma das ações – destinada a melhoria genética dos rebanhos e ao aumento da produtividade – foi a inseminação artificial de 65.000 matrizes bovinas com protocolo IATF (inseminação em tempo fixo), durante a vigência do programa.
O programa representa um avanço na capacitação dos produtores rurais, preparando-os para a condução das atividades com uma visão empresarial e o emprego de avançadas técnicas de gestão e controle. O primeiro passo é o diagnóstico da propriedade e a elaboração do planejamento estratégico. Com base nisso inicia-se o plano de ação para melhorar a produção, a renda e a qualidade de vida dos produtores.
Os expressivos resultados obtidos estimularam a ampliação do programa que receberá investimentos da ordem de 22 milhões de reais para a capacitação de mais 5.000 produtores catarinenses nos próximos três anos. Esses recursos adicionais serão aportados pelo Senar nacional (R$ 11 milhões) e pelo Senar de Santa Catarina (mais R$ 11 milhões).
Paralelamente à ampliação dos investimentos em qualificação de alto nível, foi adotada uma estratégia de natureza mercadológica com o lançamento da marca coletiva de carnes do Estado de Santa Catarina. O projeto foi concebido como uma estratégia de diferenciação do produto catarinense, ou seja, busca agregar valor à carne aqui produzida. É uma demonstração de pioneirismo no desenvolvimento completo da cadeia produtiva da carne. Procura associar a carne bovina catarinense à preservação ambiental, à segurança de alimentos e à qualidade do produto. Simultaneamente, incentiva o consumo de carne bovina dentro e fora do Estado.
A marca coletiva já tem nome: “Purpurata – carne catarinense certificada” em homenagem a Laélia purpurata, a flor-símbolo de Santa Catarina. Para implementar esse sistema, a Faesc fará a certificação de propriedades, habilitação de frigoríficos, desenvolvimento do sistema de identificação de produto, habilitação de varejistas e estratégias de marketing dentro e fora do território barriga-verde. Esse é um projeto do setor pecuário voltado ao produtor rural e à cadeia produtiva, mas quem ganhará é a sociedade catarinense.

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