Programa LIDER define projetos para fomentar o desenvolvimento regional
Com o tema institucionalização e governança do desenvolvimento da região, o 8º encontro do Programa Liderança para o Desenvolvimento Regional (LIDER) visou apresentar, nessa semana em Chapecó, os projetos dos sete eixos elencados como prioritários pelos grupos participantes: gestão pública, agronegócio, educação, infraestrutura, inovação e industrialização, saúde e turismo. A iniciativa é do SEBRAE/SC em parceria em parceria com a Associação dos Municípios do Oeste de Santa Catarina (AMOSC).
A partir de agora, os projetos serão redefinidos com base em indicadores e com implementação de monitoramento de sua aplicação. O LIDER será realizado até 2020 e terá dois fóruns foram neste ano – um em julho e outro em novembro. “Nesse período consolida-se o modelo de governança e refinamento do projeto para sua execução. As lideranças e participantes atuam como conectores com a sociedade de acordo com as propostas de cada grupo”, explicou gerente regional Oeste do Sebrae/SC, Enio Albérto Parmeggiani.
Sobre os projetos, o grupo de Industrialização e Inovação representado por Sérgio Matte e Sérgio Mello focou em iniciativas como a inserção de incubadoras em alguns municípios, educação empreendedora e tecnológica; além de ações para divulgação regional para atração de empresas e investimentos, entre outros. Segundo eles, durante os oito encontros vários debates foram realizados para elencar os objetivos e trabalhar nas ações visando atingir os resultados em médio e longo prazo. “A região precisa de um movimento nesse sentido. É algo inovador e, à medida que conseguirmos implantar de maneira adequada, teremos os resultados que esperamos em relação às metas para 2025, 2035 e 2040”, complementou Andreia Fatima Trichês que integra o grupo e representa a comunidade.
O eixo infraestrutura foi apresentado pelos representantes Vincenzo Francesco Mastrogiacomo e Rafael Piva que destacaram entre as prioridades projetos que visam a ampliação da capacidade do aeroporto regional de Chapecó, bem como a manutenção, segurança e melhoria de rodovias, iniciativas na área de energia, implantação do modal ferroviário na região, entre outros.
Elmo Zanchet e Elizangela Taffarel de Castro destacaram o planejamento estratégico do grupo do eixo saúde. Ao mencionarem a importância do segmento, realçaram as fragilidades como, por exemplo, grande demanda de média e alta complexidade que dependem de 90% dos serviços credenciados no consórcio, municípios submissos a vontade dos prestadores que ditam as regras dos serviços, quantidade ofertada que não supre a demanda, entre outros. Os projetos elencados pelo grupo incluem o aprimoramento da atenção especializada, implementação da saúde mental e promoção da atenção integral à saúde do idoso.
Paulo Utzig e Mara Santa Catarina explanaram as ações do eixo gestão pública. Os objetivos estratégicos incluem incrementar a receita própria dos municípios, melhorar a produtividade e a eficiência do serviço público com transparência e defender um novo pacto federativo com melhor distribuição dos recursos públicos (desburocratizar, otimizar processos e o gasto público); além de exigir a definição das competências dos entes federativos (união, Estados e municípios).
O eixo de turismo foi relatado pelos representantes do grupo Rodrigo Conci e Branca Rubas. Segundo eles, os objetivos estratégicos são desenvolver uma rota que contemple os alagados das usinas de pequeno porte da região Oeste, capacitações voltadas aos gestores do trade turístico e profissionais da área; reestruturação do Mercado Público Regional e iniciativas que atraiam mais turistas para a região Oeste.
Agronegócio foi o eixo apresentado por Imar Roque e Alcides Ziglioli que representaram os demais componentes do grupo. Eles priorizaram atuar de forma permanente junto para gerar investimentos e viabilizar políticas públicas que visem aumentar a capacidade de estocagem para suprir a demanda nos próximos 10 anos. Outra ação está relacionada à Agricultura Familiar e objetiva manter e melhorar seu modelo, transformar um significativo percentual das propriedades rurais em modernas e diversificadas matrizes produtivas, bem como criar espaços de qualidade de vida e bem-estar, entre outras.
Por fim, Dimar Bareta apresentou as prioridades do grupo que trabalha no eixo educação. Após relatar problemas como a carência de planejamento financeiro e falta da cultura de empreendedorismo, a discrepância de conhecimento em inclusão digital, entre outros, ele ressaltou que o objetivo é trabalhar projetos que foquem nas soluções efetivas destinado à educação básica, Educação e inclusão digital para o ensino médio e Programa multicêntrico de doutorado interinstitucional para a instituição de ensino superior.
LIDER
O LIDER teve início no ano passado e tem por objetivo estimular a criação de um ambiente favorável aos pequenos negócios para o desenvolvimento sustentável, trabalhando três dimensões da competitividade: a sistêmica (gestores públicos e prefeitos), a empresarial (empresários locais e suas entidades representativas de classe) e a estruturante (esforço conjunto da sociedade organizada).
A iniciativa contou com oito encontros que foram conduzidos pelos facilitadores Luiz Ricardo de Souza e Miriam Gassen com a participação do gerente regional Oeste do Sebrae/SC, Enio Albérto Parmeggiani, gestora local Carolini Scheffer Demeterko e os presidentes da AMOSC na gestão 2018, Rudi Miguel Sander e na gestão 2019, Mário Afonso Woitexem, além dos prefeitos da região. Anfitrião do evento em Chapecó, o prefeito, Luciano Buligon, realçou que vem acompanhando as discussões de todos os eixos e assumiu o compromisso para implementação das ações em Chapecó. “As secretárias terão um prazo para implantar iniciativas que visem o crescimento tanto de nosso município quanto dos demais que compõem a região da AMOSC”.
COMPETITIVIDADE NO AGRONEGÓCIO
Além da apresentação e discussão sobre os projetos, o evento contou com palestra sobre “Os desafios para a competitividade e sustentabilidade do agronegócio” o coordenador geral da Aliança Láctea Sulbrasileira Airton Spies eex-secretário de Estado da Agricultura. Engenheiro agrônomo, administrador e consultor, ele possui doutorado em Economia dos Recursos Naturais na Austrália, mestrado em Ciências Agrícolas na Nova Zelândia.
O objetivo foi abordar os desafios para a sustentabilidade e a competitividade do agronegócio com ênfase na cadeia produtiva do leite, mostrando os principais gargalos que os enfrentados pelo setor e as grandes oportunidades para contribuir com o desenvolvimento socioeconômico da região. “Abordamos toda a parte referente às soluções tecnológicas, o quanto precisamos investir, a organização da cadeia produtiva, a gestão das propriedades rurais, mas também um olhar para o mercado global”, ressaltou Spies.
Segundo ele, o Brasil tem potencial de alimentos muito superior ao consumo de sua população e o desafio é obter produtos de alta qualidade, produzir com custos competitivos e organizados em cadeias de logísticas que são capazes de levar os produtos onde quer que esteja o consumidor. “Nós estamos diante de grandes oportunidades. Vem aí três ondas de consumo nos próximos anos”, observou ao comentar que uma delas é a grande demanda da China em razão de ter uma população de 1 bilhão 350 milhões de habitantes, onde a economia cresce e o aumento pela demanda de alimentos é de aproximadamente 11%.
A segunda é a Índia que tem 1 bilhão e 300 milhões de habitantes e, na medida em que a renda per capita cresce, há propensão de comprar comida do mundo. A 3ª onda, conforme Spies, é o continente africano que tem 54 nações que somam 1 bilhão e 100 milhões de pessoas e que demandará alimentos nos próximos 20 anos. “Para o Brasil são grandes oportunidades, mas só podemos chegar e participar desse mercado se tivermos competência, profissionalismo e organização. Para o Oeste catarinense que tem o agronegócio por excelência, com foco para a exportação e com cadeias produtivas que já fizeram o dever de casa como é o caso da suinocultura e avicultura, enxergamos o potencial de outras cadeias que poderão participar”, finalizou.
Lideranças destacaram a importância das ações na abertura do 8º encontro
O grupo de Industrialização e Inovação representado por Sérgio Matte e Sérgio Mello durante apresentação do projeto
O eixo infraestrutura foi apresentado pelos representantes Vincenzo Francesco Mastrogiacomo e Rafael Piva
Elmo Zanchet e Elizangela Taffarel de Castro destacaram o planejamento estratégico do eixo saúde
Paulo Utzig e Mara Santa Catarina explanaram as ações do eixo gestão pública
O eixo de turismo foi relatado pelos representantes do grupo Rodrigo Conci e Branca Rubas
Agronegócio foi o eixo apresentado por Alcides Ziglioli e Imar Roque que representaram os demais componentes do grupo
Ao lado de parte do grupo, Dimar Bareta apresentou as prioridades no eixo educação
Airton Spies palestrou sobre os desafios para a competitividade e sustentabilidade do agronegócio
Evento reuniu lideranças e comunidade
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