Postado em 13 de Agosto às 14h35

PEIEX abre novas perspectivas para o artesanato de Chapecó

 
Iniciativa executada pelo Sebrae/SC prepara artesãos para novos mercados e fortalece produtos ligados à identidade cultural de Chapecó

Artesãos acompanharam as orientações sobre qualificação, comercialização e novas oportunidades de negócio. (Foto: Bruna Roman/MB Comunicação)

Parceria entre Sebrae/SC, Prefeitura e ApexBrasil aproxima artesãos do PEIEX e abre caminho para qualificação, exportação e novas oportunidades de comercialização. O artesanato que carrega nas mãos a identidade de Chapecó começa a mirar novos horizontes. Peças em madeira, fibras, tecidos e outros materiais, que traduzem histórias, símbolos e referências do município, poderão agora percorrer um caminho que ultrapassa as fronteiras catarinenses e até brasileiras.
Nesta terça-feira (11), artesãos participaram, na sala de reuniões do Gabinete do Prefeito, do lançamento de uma nova frente de trabalho voltada à internacionalização dos pequenos negócios. A iniciativa aproxima o grupo do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), da ApexBrasil, executado em Santa Catarina pelo Sebrae/SC.
O encontro reuniu representantes da Prefeitura de Chapecó, do Sebrae/SC, da Secretaria de Cultura e artesãos com produtos que apresentam potencial de mercado e forte ligação com a identidade cultural do município.
A diretora de Cultura de Chapecó, Silvia Baggio, explicou que o grupo foi formado de maneira estratégica. O convite não foi aberto de forma geral, mas direcionado a artesãos que apresentam potencial para ampliar mercados ou que trabalham com produtos capazes de representar a cultura e a identidade chapecoense. “Eles foram escolhidos e muito pensados por nós para que pudessem alavancar seus negócios. Temos artesãos que participaram das capacitações do Sebrae/SC e também pessoas que já possuem uma trajetória muito bonita no artesanato. O que queremos, junto com o Sebrae/SC e com o apoio da gestão municipal, é impulsionar esse trabalho”, afirmou.
Segundo Silvia, Chapecó já conquistou reconhecimento pelo trabalho desenvolvido no setor, mas a proposta agora é avançar ainda mais. “Nós somos referência no Estado e queremos ir além. Queremos que os nossos artesãos também se tornem referência fora de Santa Catarina”, destacou. A iniciativa também dialoga com o trabalho já desenvolvido pelo Programa do Artesanato Chapecoense – Feito em Chapecó, especialmente na valorização de peças que expressem, por meio de formas, materiais e técnicas, a história e a identidade do município.
Entre os artesãos escolhidos está Lindacir Zornitta, bióloga por formação, ceramista e vidreira em Chapecó. Com foco em sustentabilidade, ela desenvolve trabalhos com cerâmica e vitrofusão e reaproveita vidros de garrafas, transforma materiais que seriam descartados em peças criativas e exclusivas.
O interesse pelo trabalho manual levou Lindacir a aprofundar os conhecimentos sobre cerâmica. Foram cerca de dois anos de estudos sobre tipos de argila, processos de queima, esmaltação e acabamento até que ela começasse a desenvolver suas próprias peças. O processo é artesanal e exige tempo: a argila precisa secar, passar pela queima, receber o esmalte e retornar ao forno. Como tudo é feito à mão, da modelagem à pintura, cada peça carrega características únicas.
Para ela, ter sido escolhida para participar deste novo movimento de preparação para o mercado internacional representa reconhecimento e também a possibilidade de enxergar o próprio trabalho sob uma nova perspectiva. “É muito especial estar aqui porque mostra que existe um olhar para aquilo que a gente produz e para a história que cada peça carrega. Procuro unir arte, sustentabilidade e reaproveitamento de materiais. Saber que isso pode ter potencial para chegar a outros mercados faz a gente pensar maior, mas também com mais responsabilidade. Quero entender como me preparar, como apresentar melhor o meu produto e até onde esse trabalho pode chegar”, afirma Lindacir.
Ela destaca que a oportunidade também demonstra o valor do fazer artesanal. “Cada peça tem seu tempo e seu processo. Não tem como pular etapas e também não existem duas peças exatamente iguais. Acho que é justamente essa autenticidade, junto com a preocupação ambiental, que pode fazer diferença quando pensamos em novos mercados”, completa.
NOVA VITRINE
Durante o encontro, a Prefeitura também antecipou outra iniciativa que deverá ampliar os espaços de comercialização. O município planeja implantar uma segunda Vila do Artesanato, em uma área localizada atrás do Museu de História e Arte de Chapecó, na região central. A expectativa é que o novo espaço seja apresentado no período do Natal. A proposta prevê uma estrutura mais compacta, voltada especialmente ao público turístico e à comercialização de produtos ligados à identidade de Chapecó.
O Presidente da Secretaria de Cultura de Chapecó, Fellipe de Quadros, destacou que o projeto integra uma estratégia de valorização do artesanato e de criação de novas oportunidades para os produtores locais. “Estamos planejando lançar a segunda Vila do Artesanato. Será um espaço voltado ao turismo, para quem passa pela praça, visita o museu e circula pelo Centro. É mais um ponto para comercialização”, explicou.
A perspectiva ganha força com o calendário de eventos do município. A Prefeitura projeta ampliar a programação natalina a partir de novembro e também considera o crescimento do fluxo de visitantes e a outros atrativos da cidade. A orientação aos artesãos é que já comecem a preparar novos produtos, especialmente lembranças que tenham Chapecó como inspiração. A futura estrutura deverá funcionar de maneira colaborativa, que permita a comercialização em consignação, sem a necessidade de que cada artesão permaneça diariamente no local.
DA OFICINA À EXPORTAÇÃO
É nesse cenário que entra o PEIEX. O programa prepara micro e pequenas empresas para compreender o mercado internacional, avaliar possibilidades de exportação e estruturar seus negócios antes de buscar compradores no exterior. Para a gerente regional do Sebrae/SC Oeste, Marieli Musskopf, a iniciativa amplia as perspectivas dos artesãos e valoriza um setor que reúne identidade cultural e potencial econômico. “Quando unimos a identidade do território à qualificação empresarial, criamos condições para que esses produtos alcancem novos mercados e gerem ainda mais valor. O artesanato de Chapecó tem qualidade, história e características próprias. Nosso papel é apoiar esses empreendedores para que estejam preparados para transformar esse potencial em novas oportunidades de negócio”, destaca Marieli.
O gestor de projetos do Sebrae/SC, Renê Anziliero, explicou que a metodologia do PEIEX prevê acompanhamento próximo dos empreendedores durante a preparação para o mercado externo. “Existe muito potencial em trabalhar com aquilo que os artesãos já desenvolvem e levar a identidade de Chapecó para outros mercados. O PEIEX ajuda o empreendedor a entender se está preparado, quais adequações precisa fazer e quais caminhos pode seguir para acessar o mercado internacional”, explica Renê.
Segundo ele, a jornada é dividida em três momentos, despertar, preparar e conectar. Primeiro, o empreendedor conhece as possibilidades da internacionalização. Depois, passa por diagnóstico e capacitação e, na sequência, pode acessar oportunidades de conexão com mercados externos, como missões empresariais, feiras e ações comerciais. “O programa é focado na prática e oferece uma preparação individualizada. A ideia é que, ao final da jornada, o empreendedor tenha mais conhecimento e autonomia para avaliar mercados, planejar uma exportação e tomar decisões com mais segurança”, acrescenta Renê.
O atendimento é voltado aos pequenos negócios enquadrados no público atendido pelo Sebrae e é 100% subsidiado, sem custo para os participantes que ingressarem no programa.
DA IDENTIDADE AO MUNDO
Mais do que colocar uma peça dentro de uma caixa e enviá-la para outro país, a proposta é preparar o artesão para compreender preços, mercados, posicionamento, capacidade produtiva e possibilidades reais de comercialização. O Sebrae/SC avalia que produtos artesanais de qualidade, especialmente aqueles associados à cultura e à origem de um território, podem alcançar mais valor agregado no mercado internacional.
Para os artesãos de Chapecó, o primeiro passo começou justamente onde nasce qualquer peça artesanal, no encontro entre conhecimento, criatividade e oportunidade. Desta vez, porém, o horizonte é maior, e a identidade chapecoense começa a se preparar para ganhar o mundo.
SOBRE O SEBRAE
O Sebrae/SC comemora, em 2026, 53 anos de dedicação ao fortalecimento dos pequenos negócios e ao fomento do empreendedorismo em Santa Catarina. Com presença em todas as regiões do Estado, a instituição oferece soluções que impulsionam o desenvolvimento econômico e social, apoia milhões de empreendedores ao longo de sua trajetória. Reconhecido nacionalmente, o Sebrae é hoje a 4ª marca mais valiosa do país, com um ativo de R$ 33,9 bilhões, reflexo de sua credibilidade, impacto e compromisso com a transformação dos territórios onde atua. Em Santa Catarina, o Sebrae é parceiro estratégico de quem faz o estado crescer.
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