Postado em 21 de Junho de 2021 às 17h14

O Oeste pede socorro

Mario Cezar de Aguiar, presidente da FIESC

A plena inserção do Oeste de Santa Catarina na economia nacional e global não é suficiente para que a região supere as graves deficiências de infraestrutura quehistoricamente a perseguem. Os sérios gargalos de infraestrutura enfrentados em todo o estado são ainda mais graves naquela região, que vive um “abandono crônico”, como bem definiu em artigo recente o presidente da Aurora Alimentos, NeivorCanton.
Com um PIB de R$ 44,7 bilhões (2018), que corresponde a 15% do estadual, o Oeste dá substantiva contribuição ao desenvolvimento de Santa Catarina. A região foi responsável por 15,1 mil das 26 mil vagas de emprego geradas pela indústria catarinense em 2020 e, em 2021, responde por 20% dos novos empregos do setor. Em proporção similar, exportou, em 2020, 1,6 bilhão de dólares, ou 16,1% do total de Santa Catarina.
A colonização que ocorreu logo após à Guerra do Contestado e à definição das divisas com o Paraná trouxe ao Oeste levas de descendentes das famílias italianas e alemãs que no século anterior haviam se estabelecido no Rio Grande do Sul. Na bagagem traziam a tradição de produzir derivados de carne, dando origem aos frigoríficos, que começaram a abrir mercados em grandes centros. Transporte e logística eram obstáculos, mas com determinação e criatividade, os empresários superaram todos os desafios.
Ainda que tenha sido construída uma malha rodoviária e que a região possua importantes hidrelétricas, o Oeste catarinense continua carecendo de investimentos em infraestrutura. O fornecimento de energia está inconsistente e não há fornecimento de gás natural; as rodovias apresentam severas precariedades, prejudicando o recebimento de matérias-primas e o escoamento do produto acabado. Além disso, começam a eclodir problemas de saneamento e é necessário viabilizar alternativas para enfrentar problemas de falta de água. O risco é amigração em ritmo cada vez mais acentuado dos investimentos para outras regiões.
O sentimento na região é um só: o Oeste de Santa Catarina não pode mais esperar. Urge, como defendeu em recente manifestação o vice-presidente da FIESC para a região,Waldemar Schmitz, a união de todas as lideranças políticas e econômicas do estado em favor de investimentos públicos para a superação das graves e crônicas deficiências que a região enfrenta. Esta é uma bandeira permanente da FIESC.

Veja também

Extremo oeste: Turismo de aventura e gastronômico atraem visitantes para Anchieta16/03/20 Rotas dos cânios com belíssimas cachoeiras, grutas e trilhas; voo de balão e parapente e a rota “Encantos e Sabores” da Associação Anchietense de Turismo (ANCHIETUR) são alguns dos atrativos turísticos do município de Anchieta, no extremo oeste catarinense. Os visitantes também podem conhecer as maravilhas apresentadas na Expo Anchieta, na......

Voltar para (Blog)