Luiz Vicente Suzin, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC)
A campanha eleitoral vai iniciar e já há um sentimento generalizado de que uma radicalização extremada pode impregnar os atos dessa jornada. Uma série de fatores – já de amplo conhecimento da população – tornará essa eleição original. A sociedade espera que a campanha e as eleições transcorram dentro da civilidade, da urbanidade e do respeito às leis e que candidatos e eleitores tenham plenas condições de exercer com liberdade e segurança todos os direitos que a cidadania assegura. Da mesma maneira, espera-se uma conduta madura e à altura desse importante momento da vida nacional de todos os candidatos e seus eleitores.
Prática corrente na cultura política brasileira é a formatação de propostas e planos de governo sob a orientação do marketing político, o que se revela pelas ideias de grande apelo popular, promessas de solução rápida para problemas crônicos e altissonantes anúncio de obras, ações e programas sintonizados com latentes aspirações populares.
Interessa à sociedade ir além das narrativas do marketing político. A campanha eleitoral é um excelente e adequado momento para o debate aprofundado das problemáticas brasileiras, através do qual cada condidato poderá expor suas ideias, seus valores, suas prioridades, sua visão de mundo. Isso é mais importante que a desenvoltura no vídeo, a rapidez de raciocínio ou a elisão verbal nos debates. O eleitor pode conhecer o caráter do candidato e avaliar suas propostas.
O debate dos temas nacionais talvez seja a maior contribuição do processo eleitoral à formação de uma consciência psicossocial. É o momento de assumir compromissos. A redução do tamanho do Estado brasileiro e o aumento de sua eficiência é uma das questões mais complexas porque, nesse momento, a pauta comum dos candidatos é o aumento do gasto social sem uma indicação clara das formas de seu financiamento. O debate pode evoluir e apontar horizontes porque a reforma administrativa seria a matriz para outras reformas estruturantes, como a tributária, a política, a trabalhista etc.
Outra questão que imperiosamente entrará no debate é a gestão macroeconômica, num momento em que a inflação voltou a assombrar o mundo e os preços ameaçam fugir ao controle, vergastando o poder de compra dos trabalhadores.
Saúde e educação são pautas inescapáveis. A saúde, em face da pandemia do novo coronavírus, tornou-se a principal preocupação dos brasileiros nos últimos dois anos, período em que o País – com elevado sofrimento e pesadas perdas humanas – aprendeu a enfrentar e domar covid-19. A educação, principal vetor da evolução dos países de primeiro mundo, ganha relevância porque ainda é o principal instrumento capaz de catapultar o indivíduo na busca pela ascensão social em todas as dimensões.
Qualquer esforço de análise e projeção para os próximos anos exige discutir os gargalos ao crescimento nacional. E eles têm um nome: infraestrutura. É preciso aumentar fortemente os investimentos na construção e melhoria de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, terminais, centrais elétricas, hospitais, creches e escolas.
Fazer do processo eleitoral um momento de debate e discussão de alto nível sobre as macroquestões nacionais, subordinando visões setoriais aos superiores interesses do País, é o que a sociedade espera dessas eleições. Não será fácil, mas é preciso tentar.
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