Postado em 11 de Setembro de 2025 às 11h29

O campo e o emprego!

JOSÉ ZEFERINO PEDROZO
Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc)
e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

José Zeferino Pedrozo, Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

Mesmo diante de avanços tecnológicos e da ascensão de setores industriais e de serviços, é inegável que o emprego no Brasil continuará, por longo período, dependente do desempenho do setor rural e da renda do produtor. A agricultura e a pecuária constituem a base da economia nacional não apenas pela produção de alimentos e matérias-primas, mas sobretudo por sua capacidade de gerar riqueza genuína e de mobilizar numerosa força de trabalho ao longo de todas as cadeias produtivas. O campo é fonte de multiplicação da vida e do sustento, transformando sementes e animais em alimentos, energia e fibras que garantem soberania, segurança alimentar e competitividade internacional.
O Brasil possui características singulares. Ainda que apenas uma parcela da população resida em áreas rurais, o impacto social da agricultura é profundo. Quando o êxodo rural se intensifica, as cidades enfrentam graves desafios, pois sua infraestrutura urbana, já pressionada, não consegue absorver em ritmo adequado a chegada de novos contingentes populacionais. A permanência digna das famílias no campo, portanto, não é apenas uma questão econômica, mas social e estratégica, capaz de reduzir desequilíbrios e assegurar melhor qualidade de vida em todo o território.
A experiência internacional demonstra que países desenvolvidos conseguiram reduzir sua população rural a patamares de 3% ou 4% em um contexto histórico marcado pela expansão industrial e pela forte demanda por mão de obra nos serviços urbanos. O Brasil, entretanto, vive outro cenário: o crescimento tecnológico acelerado substitui postos de trabalho tradicionais tanto no campo quanto nas cidades, com a automação, a inteligência artificial e os robôs competindo diretamente com a mão de obra humana.
A política agrícola brasileira, infelizmente, ainda se restringe aos mecanismos de crédito e gestão de inadimplência, desconsiderando a necessidade de planejamento estratégico de longo prazo. A renda, mais do que o crédito, é a principal dificuldade do produtor, que enfrenta uma concorrência internacional implacável desde a abertura comercial nos anos 1990. Muitas vezes, os ganhos de produtividade obtidos com inovação tecnológica e gestão eficiente são anulados pelas oscilações de mercado ou pelas deficiências de infraestrutura que encarecem a produção e neutralizam a nossa competitividade.
O potencial agrícola do Brasil é imenso, sustentado por fatores naturais privilegiados, mas só poderá ser plenamente aproveitado se o empreendedor rural tiver condições econômicas viáveis. Nesse processo, os pequenos produtores desempenham papel essencial. Embora enfrentem a limitação da escala de produção, podem tornar-se competitivos quando adotam práticas de gestão profissional, diversificação e agregação de valor, transformando sua atividade em empreendimento sustentável. A agricultura de tempo parcial, na qual a família combina atividades rurais com ocupações complementares fora da propriedade, também constitui alternativa eficaz para ampliar a renda e garantir permanência no meio rural.
É nesse ponto que o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) assume protagonismo decisivo. Ao oferecer formação profissional, assistência técnica e capacitação gerencial, o SENAR amplia a qualificação da mão de obra e prepara o produtor para um ambiente cada vez mais tecnológico e competitivo. A instituição não apenas transfere conhecimento, mas fortalece o espírito empreendedor, permitindo que agricultores e pecuaristas incorporem inovação, ampliem a produtividade e assegurem a viabilidade econômica de seus estabelecimentos.
A agricultura e a pecuária brasileiras são responsáveis por parcela significativa dos empregos diretos e indiretos do País. Ignorar esse fato é ignorar a realidade de milhões de famílias. Valorizar o campo significa investir em gente, em tecnologia e em gestão, assegurando ao Brasil condições de enfrentar os desafios do futuro com equilíbrio social, solidez econômica e competitividade internacional.

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