Múltiplas ferramentas são a resposta para garantir combate eficaz às doenças respiratórias
As doenças do complexo respiratório, além de prejudicarem o bem-estar animal, podem gerar grandes prejuízos econômicos para a suinocultura. Para manter os produtores atualizados sobre a prevenção dessas patologias e discutir medidas para preservar a sanidade dos suínos, a doutora em medicina veterinária, Djane Dallanora, palestrou sobre o tema no painel de sanidade. O debate encerrou a programação do 13º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) entre esta terça (10) e quinta-feira (12).
O Brasil é o quarto maior produtor de carne suína no mundo e responde por 3,88% da produção global. Com uma posição de destaque, em um mercado que só cresce, a suinocultura precisa estar atenta para combater as enfermidades que comprometem o desempenho da produção. Entre os desafios para a sanidade no setor, estão as doenças respiratórias, que são responsáveis por significativos danos para a suinocultura.
Os vírus da influenza e as bactérias mycoplasma hyopneumoniae (MH) e actinobacillus pleuropneumoniae (APP) são três dos maiores agentes causadores de prejuízos nas granjas. “O complexo das doenças respiratórias dos suínos (CDRS) é um problema atual e apresenta um grande potencial de mortalidade”, alertou Djane.
De acordo com a especialista, o estresse e o ambiente podem interferir profundamente para facilitar as CDRS. No caso do estresse, o impacto atinge a imunidade do animal e também o perfil de expressão do patógeno, aumentando a citotoxicidade e adesão às células. Já o ambiente pode potencializar os danos por causa da poeira, especialmente de fezes, temperaturas extremas ou umidade excessiva dentro das instalações.
Para combater essas enfermidades respiratórias, a especialista destacou que a importância de um diagnóstico de qualidade não pode ser ignorada. “Precisamos entender os agentes que estão envolvidos nesse contexto. Muito mais do que identificar os sinais clínicos, é necessário entender quem abre portas, quais são os agentes primários responsáveis pelo que está acontecendo na minha granja e, para isso, é muito importante que eu use evidências e não só a minha experiência clínica. Devemos usar exames adequados para atingir nossos objetivos”, orienta.
Outra medida relevante é o controle pela vacinação e pela medicação. “Se eu já uso medicamentos e vacinas, preciso confrontar o resultado que eu esperava quando implantei esse programa com o resultado que eu efetivamente consegui colocando ele em prática. “A partir daí, se eu concluo que já estou usando todas as ferramentas disponíveis, devo questionar o que mais eu posso fazer. Neste momento, é fundamental buscar a raiz do problema e analisar com profundidade o porquê do meu programa preventivo não estar dando o resultado esperado. Será que eu preciso fazer ajustes em nível operacional? Será que estou utilizando a melhor estratégia vacinal? Essas são algumas das perguntas que devem ser feitas na hora da tomada de decisões”, acrescenta.
Também é imprescindível ponderar os desafios dos sistemas de produção, entre eles a mistura de origens na creche ou nas terminações, que podem afetar a estabilidade imunológica do plantel e facilitar a propagação dos agentes infecciosos. “As pirâmides sanitárias são um ferramenta importante e bastante significativa para minimizar os efeitos das misturas de origem”, exemplificou.
A doutora ainda ressaltou que é preciso olhar além do óbvio e compreender o contexto com profundidade quando o objetivo é conter as doenças respiratórias. “Precisamos de análises profundas e detalhadas, reparar as peculiaridades dos nossos sistemas de produção e adotar um raciocínio que compreenda toda a complexidade que envolve essas patologias”, concluiu Djane.
PALESTRAS
A edição deste ano do 13º SBSS contou com 11 palestras, que foram transmitidas em alta definição, com tradução simultânea do português para o espanhol. Para os congressistas que quiserem rever o conteúdo, as palestras ficarão disponíveis para acesso durante 30 dias após o evento.
12ª BRASIL SUL PIG FAIR
Paralelamente ao 13º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura foi realizada a 12ª Brasil Sul Pig Fair virtual. Em torno de 60 empresas de tecnologia, sanidade, nutrição, genética, aditivos e equipamentos para suinocultura participaram da feira. Foi um espaço para as empresas geradoras de tecnologias apresentarem suas novidades e seus produtos, permitindo a construção de networking e o aprimoramento técnico dos congressistas.
APOIO
O 13º SBSS tem apoio da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Santa Catarina (CRMV/SC), da Embrapa, da Prefeitura de Chapecó, da Unochapecó e da Sociedade Catarinense de Medicina Veterinária (Somevesc).
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