Mulheres lideram 35% das empresas em Santa Catarina e aceleram crescimento do empreendedorismo no Estado
Pesquisa do Observatório de Negócios do Sebrae/SC apontar que, das 1.523.588 empresas ativas no Estado, 534.981 são lideradas por mulheres
O empreendedorismo feminino representa uma parcela estrutural da economia catarinense. (Keli Magri/MB Comunicação)
O empreendedorismo feminino representa uma parcela estrutural da economia catarinense. É o que indica o levantamento do Painel de Empresas de Santa Catarina, com base em dados da Receita Federal (fevereiro de 2026), realizada pelo Observatório de Negócios do Sebrae/SC em parceria com o Programa Sebrae Delas, ao apontar que, das 1.523.588 empresas ativas no Estado, 534.981 são lideradas por mulheres, o equivalente a 35,1% do total. O número demonstra a consolidação das empreendedoras no ambiente de negócios catarinense, ainda que persistam desafios relacionados à escala e ao crescimento dessas empresas.
PRESENÇA CONSOLIDADA NAS PRINCIPAIS REGIONAIS
A distribuição territorial demonstra que a presença feminina acompanha a dinâmica policêntrica da economia estadual, com maior concentração absoluta nas principais regionais. Em Florianópolis, são 58.655 empresas lideradas por mulheres (11,0% do total feminino no Estado), seguida por Joinville, com 46.065 (8,6%), Blumenau, com 27.910 (5,2%), Itajaí, com 23.852 (4,5%), e São José, com 22.227 (4,2%).
Já a participação relativa feminina nas regiões varia entre 29,6% e 37,9%, indicando que as diferentes estruturas produtivas influenciam diretamente a inserção das mulheres no empreendedorismo formal e reforçando a importância de estratégias alinhadas às vocações econômicas de cada território.
PERFIL E SETORES COM MAIOR PRESENÇA FEMININA
O perfil da empreendedora catarinense também traz recortes relevantes. A maioria está na faixa etária de 45 a 59 anos, que representa 33% do total, seguida por mulheres de 35 a 44 anos (28,8%) e de 25 a 34 anos (18,9%).
Setorialmente, o empreendedorismo feminino tem forte presença nos segmentos de serviços e comércio, com destaque para indústria da moda (6,4%), beleza (5,6%) e saúde (5,3%). No recorte por atividades econômicas, predominam o comércio varejista de vestuário e acessórios, serviços de beleza, promoção de vendas, serviços administrativos, alimentação e confecção, o que mostra a conexão com o consumo local, os serviços pessoais e as cadeias produtivas tradicionais do Estado.
PEQUENOS NEGÓCIOS E EMPRESAS JOVENS LIDERAM O MOVIMENTO
Outro dado que chama atenção é o porte das empresas. A maior parte dos negócios liderados por mulheres está concentrada nos estratos de menor escala, especialmente entre Microempreendedoras Individuais (MEIs) e microempresas. “A participação feminina diminui conforme o porte aumenta, refletindo barreiras históricas relacionadas ao acesso a capital, redes de relacionamento e oportunidades de expansão”, explica a gerente regional do Sebrae/SC no oeste, Marieli Aline Musskopf.
Essa característica também dialoga com a predominância de empresas jovens: a maioria dos negócios tem até cinco anos de existência, o que indica elevada renovação, mas também maior exposição a riscos típicos do início da atividade, como vulnerabilidades de caixa, formação de clientela e definição de preços.
CRESCIMENTO ACELERADO NA ÚLTIMA DÉCADA
A série histórica de aberturas de empresas lideradas por mulheres entre 2010 e 2025 confirma um movimento de aceleração na última década, especialmente nos anos mais recentes. Entre 2020 e 2025, a taxa de crescimento aproximada foi de 235,5%, demonstrando ampliação significativa da base formal feminina, impulsionada tanto pela facilidade de formalização em pequenos portes quanto pelas transformações no mercado de trabalho e na economia de serviços.
ESTRATÉGIA E FORTALECIMENTO DO ECOSSISTEMA
De acordo com Marieli, os números reforçam que o empreendedorismo feminino deixou de ser tendência para se consolidar como vetor estratégico de desenvolvimento. “Os dados mostram que as mulheres têm papel fundamental na economia catarinense, mas também a necessidade de fortalecer a trajetória desses negócios, especialmente nos primeiros anos. É nesse momento que intervenções em gestão financeira, precificação, organização de processos e acesso a mercado fazem toda a diferença para garantir sobrevivência e crescimento”, destaca Marieli.
Ainda segundo Marieli, o desafio agora é avançar na produtividade e na escala, criando uma esteira de atendimento que considere o estágio de maturidade de cada empresa. “Quando fortalecemos negócios liderados por mulheres, ampliamos renda, geramos empregos e impactamos diretamente o desenvolvimento regional. O foco é transformar potencial em crescimento sustentável. É isso que buscamos com o programa Sebrae Delas”, complementa.
O levantamento também aponta que estratégias territoriais e parcerias institucionais são fundamentais para ampliar resultados, articulando ações com entidades empresariais, universidades e órgãos públicos voltados ao desenvolvimento e às políticas para mulheres. “Ao consolidar 35,1% do universo empresarial do Estado, o empreendedorismo feminino em Santa Catarina demonstra força, dinamismo e capacidade de expansão, e reforça a necessidade de políticas estruturadas para garantir que esse crescimento venha acompanhado de mais competitividade e oportunidades de escala”, conclui.
Para ter acesso a outras pesquisas, você pode acessar o site do Observatório de Negócios através do link https://www.sebrae-sc.com.br/observatorio e para saber mais sobre as ações do Programa Sebrae Delas, acesse www.sebrae.sc/sebraedelas.
SOBRE O SEBRAE
O Sebrae/SC comemora, em 2026, 54 anos de dedicação ao fortalecimento dos pequenos negócios e ao fomento do empreendedorismo em Santa Catarina. Com presença em todas as regiões do Estado, a instituição oferece soluções que impulsionam o desenvolvimento econômico e social, apoia milhões de empreendedores ao longo de sua trajetória. Reconhecido nacionalmente, o Sebrae é hoje a 4ª marca mais valiosa do país, com um ativo de R$ 33,9 bilhões, reflexo de sua credibilidade, impacto e compromisso com a transformação dos territórios onde atua. Em Santa Catarina, o Sebrae é parceiro estratégico de quem faz o estado crescer.
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