Postado em 06 de Agosto às 09h09

Muito além do voto

 
VANIR ZANATTA
Presidente do Sistema OCESC (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina)

Vanir Zanatta – Presidente do Sistema OCESC (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina).

Uma sociedade moderna, pluralista, fundada na valorização do trabalho e no respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana renova, através das eleições, a sua vocação para a Democracia.
          Eleições livres, universais, seguras e confiáveis, escoimadas de vícios e fraudes são a garantia de manutenção do Estado de direito.
          A democracia foi restaurada no Brasil em 15 de março de 1985 com a posse do primeiro governo civil após 21 anos de regime militar e foi consolidada institucionalmente com a promulgação da Constituição Federal de 1988. Nesses 41 anos, as eleições majoritárias e proporcionais nas esferas federal, estadual e municipal se sucederam sem sobressaltos.
          O brasileiro, portanto, está familiarizado com as campanhas eleitorais e o exercício do voto, que no Brasil é obrigatório, de acordo com nosso ordenamento jurídico. É muito curiosa, entretanto, a maneira displicente com que eleitor brasileiro se relaciona com o direito/dever do voto, com os candidatos e com os eleitos.
          O eleitor brasileiro não discute com atenção os temas da atualidade com os candidatos de sua preferência, não registra as prioridades assumidas em campanha e, após as eleições, não acompanha nem fiscaliza como os novos mandatários exercem seus mandatos.
          Possivelmente seja por essa conduta típica de boa parte do eleitorado que parcela significativa dos candidatos aparentemente não tem o menor compromisso entre o que propalaram nas campanhas e o que, efetivamente, fazem no exercício dos respectivos mandatos seja na esfera executiva ou legislativa.
          As campanhas são emolduradas por mensagens, imagens e outros recursos articulados pelo marketing, criteriosamente selecionados. Pesquisas orientam para os temas e as abordagens com maior capacidade de impactar o eleitor. Nessa etapa, o desafio é capturar a atenção do cidadão para então seduzi-lo. Tudo certo. É parte do jogo.
          O problema é que a atuação do candidato em campanha frequentemente nada tem a ver com a atuação do candidato eleito. Tem candidatos que fazem da plataforma eleitoral uma obra de ficção sem a menor preocupação com a prestação de contas no exercício do mandato. Outro pecado grave do candidato é não discutir com clareza as grandes questões da atualidade ou, quando discute, apresenta propostas irreais e impraticáveis.
          Nesse contexto eleitoral, parece que candidatos e eleitores não conferem a devida prioridade que seus respectivos papéis exigem. Isso precisa mudar. Para o amadurecimento da democracia e das instituições o eleitor precisa cobrar e compreender que seu papel, como cidadão, vai muito além do voto. 

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