Postado em 05 de Março às 16h23

Irmãs seguem espírito aventureiro do pai e o transformam em empreendedorismo

Kadidia e Jamila comandam agência de viagens e trazem na bagagem suas experiências internacionais para Chapecó 

Jamila e Kadidia Umar abrem a Amo Embarque em 2019. (Foto: Débora Favretto/ MB Comunicação)

Uma história de amor, embarques, culturas e encontros. As empresárias Soad Kadidia Umar e Jamila Umar fundaram a Amo Embarque em 2019 em Chapecó, poucos meses antes da pandemia de Covid-19. Apesar de jovem, a empresa, associada à ACIC, nasceu de um grande repertório. Formada em jornalismo, Kadidia tem perfil marcante, é comunicativa. Três anos mais nova, Jamila é administradora e adota uma postura mais reservada, mas sempre atenta e detalhista.
Como histórias nem sempre são lineares e geralmente começam muito antes da data marcada, a trajetória de Kadidia e Jamila inicia com a chegada do pai, Ali, no porto de Santos, vindo da palestina, passou por algumas cidades do sul do Brasil até chegar na pequena cidade de Campo Novo no Rio Grande do Sul e conhecer a dona Mariana.
Ele ficou justamente na hospedaria do meu avô”, contou Kadidia.  “Em uma manhã, aparece uma jovem loira, de olhos azuis, nossa mãe servindo café. Meu pai, carismático, exótico para aquela realidade, falante, poético, contador das histórias das ‘Mil e Uma Noites’. Você já imagina como terminou essa história”, riu a empresária.
Kadidia conta que o pai, como muitos imigrantes, alimentava o plano de voltar ao Oriente Médio. “Todo imigrante sonha em voltar para o seu país de origem com família, dinheiro, história”, afirmou. Segundo ela, a mudança para à Jordânia aconteceu quando tinha 11 anos e Jamila, cerca de 8 ou 9, entre 1989 e 1990, onde permaneceram por quatro anos.
A vida fora do Brasil foi de aprendizado e muito crescimento pessoal para a família. “Na Jordânia, tivemos o desafio de aprender árabe. A professora falava árabe, nós respondíamos em português. Quando chegavam conceitos abstratos, como “amanhã”, não entendíamos nada. Até que ela disse ‘tomorrow’. Aí percebemos que, se soubéssemos inglês, aprender árabe seria mais fácil. Fizemos uma corrida para aprender inglês. O resultado foi que voltamos ao Brasil com dois idiomas a mais e outra cultura.”
A adaptação, porém, foi atravessada pelo clima de instabilidade que antecedeu a Guerra do Golfo. “E guerra não começa no dia em que sai no noticiário; o burburinho começa antes e muda a rotina local”, disse Kadidia. Com a redução das operações no Iraque, a mãe decidiu retornar ao Brasil.
MUNDO LÁ FORA
O espírito aventureiro dos pais deu asas para o empreendedorismo das filhas. “Desde pequenas, a viagem estava presente. Nosso pai nos levava para São Paulo nas férias, alugava carro, passeávamos. Cultura, curiosidade, ele queria mostrar o mundo lá fora. Começamos nossa vida profissional com escola de inglês. Tivemos escola por quase 25 anos. Criamos imersões, excursões, viagens para São Paulo, Playcenter, depois Orlando, Disney. A viagem sempre esteve junto.”
Em um momento, as irmãs precisaram parar com a escola, seguir caminhos diferentes, foi quando entraram na faculdade, porém as novas experiências e as inquietudes profissionais as levaram a tomar a decisão de abrir a Amo Embarque. Quando a pandemia avançou e o Brasil entrou em isolamento, o planejamento financeiro ajudou a atravessar os primeiros meses. O plano de negócios já previa uma reserva para um período sem vendas. “Honramos todos os pacotes”, completou a empresária.
Para Kadidia e Jamila, o diferencial de uma agência não está apenas no entusiasmo pelo turismo, mas na capacidade de orientar o cliente em um ambiente de excesso de informação. “Só o amor pelo trabalho não é diferencial. O passageiro busca outras coisas e uma delas é segurança”, realçou Jamila.
Kadidia diz que, com tantas opções na internet, cresce a insegurança na hora do viajante decidir. “Quanto mais opção, mais difícil é escolher”, resume. Nesse cenário, a função da agência passa a ser a de curadoria, entender o perfil, traduzir o desejo em roteiro e reduzir o risco de frustração. “A internet explica o destino, mas não sabe quem você é. Juntamos informação, experiência e planejamento para garantir que a viagem dê certo.”
Na avaliação da empresária, ferramentas digitais não substituem o trabalho consultivo. “A gente não vê internet e IA como concorrência. Muitas vezes o cliente pesquisa e vem para validar”, pontuou. Para ela, além da segurança, a agência entrega tempo: “Tem gente que gosta de montar o roteiro no mapa, mas detesta a parte burocrática. A gente assume a gestão: documentos, horários, logística, melhor voo.”
A Amo Embarque prepara o lançamento de uma ferramenta de inteligência artificial voltada ao pós-venda, uma etapa que, segundo as irmãs, ainda recebe pouco investimento no setor. A empresária Jamila salientou que o objetivo é ampliar o cuidado com o viajante em diferentes fusos horários, sem substituir o atendimento humano. “Percebemos que esse cuidado com o cliente tem que ser 24 horas, sete dias por semana, e isso não é viável só com equipe.” Em desenvolvimento, a IA — batizada de Clara — deve atuar como apoio em situações de viagem, como imprevistos de hospedagem ou questões de saúde.
Um dos aprendizados deixados pelas empresárias é nunca pensar pelo sonho do cliente com o “próprio bolso”. “Esse é outro erro. Achar que: ‘Meu Deus, eu não pagaria um ingresso desse pra saltar de paraquedas.’ Sonho é sonho. O que é importante para mim não é para o outro. Tem gente que diz: ‘É meu sonho fazer aquele vídeo saindo da cama e abrindo a janela com vista para o mar’, destacou Kadidia.
Hoje, sem a presença física do pai, elas têm uma certeza: “não sabemos em qual continente ele está agora, mas a sua viagem continua”. Aos 80 anos, a mãe Mariana segue a jornada aventureira e faz valer o maior legado da família: tem mais mundo lá fora!
ACIC
Kadidia e Umar são associadas da Associação Comercial, Industrial, Agronegócio e Serviços e Chapecó (ACIC) e nucleadas do Núcleo de Turismo. A entidade possui mais de 1800 empresas associadas e 16 Núcleos Empresariais que funcionam como redes de apoio estratégico, onde empresários encontram oportunidades de aprendizado, cooperação e criação de vantagens competitivas. Mais informações podem ser encontradas no site: acichapeco.com.br
  • MB Comunicação Empresarial e Organizacional - A vida fora do Brasil foi de aprendizado e muito crescimento pessoal para a família. (Foto: Débora Favretto/ MB Comunicação)
  • MB Comunicação Empresarial e Organizacional - O maior legado da família é que tem mais mundo lá fora. (Foto: Débora Favretto/ MB Comunicação)

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