Inovação: técnica cirúrgica utiliza nitrogênio para destruição de células cancerígenas
Reconstruir um membro acometido por câncer com a utilização de uma parte da região próxima ao tumor, que serve de enxerto biológico e preserva a integridade do membro. Isso é possível, por exemplo, por meio de um procedimento inédito em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que foi realizado, recentemente, no Hospital Unimed Chapecó. Nesse caso, foi para o tratamento de um tumor ósseo em um paciente de 46 anos com lesão tumoral na região de terço proximal da tíbia esquerda.
A resseção e reconstrução com enxerto ósseo biológico reciclado com nitrogênio diminui as chances de rejeição e complicações, além de preservar a maior parte possível da função do membro acometido. O objetivo da cirurgia é ressecar o tumor maligno (ostoeossarcoma – tumor ósseo primário) e reconstruir a região proporcionando cura ao paciente e utilizando o seu próprio osso. O ostoeossarcoma é o tipo de tumor de osso mais comum e ocorre, principalmente, entre a segunda e terceira décadas de vida.
A equipe médica que conduziu o procedimento foi composta pelo médico ortopedista cooperado da Unimed Chapecó, Dr. Eduardo Franciscon, e pelos médicos do corpo clínico Dr. Guilherme Damiani e Dr. Daniel Betu; além do médico ortopedista oncológico e pediátrico de Passo Fundo (RS), Dr. Marcos Ceita Nunes. De acordo com os médicos, o tratamento do osteossarcoma ocorre através de um protocolo que envolve quimioterapia pré-operatória (neo-adjuvante), cirurgia e quimioterapia pós-operatória. Segundo a equipe, diagnóstico precoce, quimioterapia eficaz e técnicas de imagem pré-operatórias precisas permitem que muitos tumores possam ser ressecados com preservação articular e com finalidade curativa.
“A reconstrução com material biológico, como o auto-enxerto reciclado, tem sido preconizada como principal opção, principalmente, em pacientes não metastáticos objetivando a cura. Esse procedimento, por utilizar material biológico do próprio paciente, permite manter a longo prazo boa função do membro acometido com menor taxa de reintervenção cirúrgica, principalmente quando comparado com pacientes submetidos a endoprótese”, destaca Dr. Franciscon.
No caso desse paciente, os médicos explicam que foi possível a ressecção com margem oncológica (livre de tumor) do osteossarcoma da tíbia proximal e reconstrução com enxerto ósseo reciclado pediculado com nitrogênio. O nitrogênio tem a função de matar as células vivas tumorais e manter a parte mineral do osso viável. Desta forma, mantém as propriedades de osteoindução e osteocondução do osso, o que proporciona uma taxa de cicatrização do osso de até 95%.
PROCEDIMENTO E RECUPERAÇÃO
A cirurgia, que teve duração média de seis horas, consistiu na ressecção do tumor maligno preservando margens livres de tumor. A parte atingida pelo tumor foi “mergulhada” em um balde de nitrogênio líquido e, após, utilizada para reimplantação no paciente.
O pós-operatório, conforme a equipe médica, envolve imobilização do membro acometido por pelo menos seis a oito semanas, período necessário para cicatrização da parte ligamentar, além dos cuidados com a ferida pós-operatória. Após este período ocorre a reabilitação com fisioterapia. A cirurgia é indicada para pacientes que apresentam tumor ósseo primário maligno com chance de cura, ou seja, não apresentam metástase. Entre os exemplos de tumor ósseo primário maligno os médicos exemplificam: o osteossarcoma, o tumor de Ewing e o condrossarcoma.
A ressecção e reconstrução com enxerto ósseo biológico reciclado com nitrogênio surgiu na última década e tem sido utilizado mundialmente. No Brasil a utilização deste procedimento tem ganhado cada vez mais espaço no tratamento de tumores ósseos primários malignos e tem sido feito de forma segmentar, ou seja, ressecando todo osso acometido para colocação no nitrogênio. “Neste caso, a novidade está na realização da ressecção e reconstrução com enxerto ósseo biológico reciclado, porém de forma pediculada e não segmentar, onde realiza-se apenas um corte no osso preservando a maior integridade do osso acometido”, conclui Dr. Franciscon.
Texto: Andressa Oliveira Recchia/Unimed Chapecó
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