FAESC analisa recorde previsto no valor bruto da produção agropecuária em 2021
Receita deve atingir R$ 1,1 trilhão, segundo estimativas do setor. Santa Catarina acompanhará alta, projeta Federação
Em 2021, Santa Catarina deve acompanhar ou até superar o crescimento nacional do Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária previsto pelo setor. A análise é do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC), José Zeferino Pedrozo ao avaliar estimativa divulgada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com base nos dados de janeiro. A entidade nacional projeta receita recorde de R$ 1,142 trilhão neste ano, crescimento de 15,8% em relação ao ano passado.
“Santa Catarina dobrou as exportações de soja, milho e registrou alta nos preços dos produtos, especialmente de proteína animal. Certamente, o nosso VBP deve acompanhar ou até ultrapassar o recorde brasileiro esperado”, avalia o dirigente ao destacar que o valor bruto da produção catarinense vem crescendo acima de 6% nos últimos anos e alcança a nona colocação em valores no País, com mais de R$ 33,6 bilhões.
Para a agricultura, a projeção nacional do setor é de alta de 19,0%, com faturamento bruto de R$ 759,25 bilhões. O resultado previsto é reflexo da boa expectativa da safra de grãos, que deve representar 51,4% na participação do VBP. Outro destaque está no aumento dos preços reais: até janeiro, a soja aumentou 25,5%, o milho 23,6% e o arroz 8%.
Para a pecuária, a estimativa é de expansão de 9,8%, com receita de R$ 383,45 bilhões. O principal destaque é a carne bovina, com alta de 18% no faturamento, resultado da elevação de preços (10,4%) e de produção (6,9%).
Aves e a pecuária de leite devem apresentar crescimento mais tímido de 3%, enquanto a produção de suínos deve ter alta de 1,4%.
“No último ano, Santa Catarina alcançou o melhor resultado da história na suinocultura: embarcou mais de 523,3 mil toneladas de carne suína com destino a 67 países, alta de 35%, chegando a US$ 1,2 bilhão. Em 2021, apesar da alta nos preços dos insumos, acreditamos que a carne suína continuará favorável e o Estado deve aumentar o volume de exportações”, projeta Pedrozo.
PRODUTOR
A CNA e a FAESC informam, no entanto, que, mesmo com a estimativa recorde de faturamento do setor agropecuário, a maioria dos agricultores não conseguiu comercializar sua produção com os preços atuais, em razão da negociação antecipada. Por outro lado, a desvalorização cambial elevou os preços dos insumos agropecuários, pressionando as margens.
No caso dos pecuaristas, apesar da valorização da carne bovina, as altas dos grãos pressionaram para cima o valor da ração. Os animais de reposição (bezerro e boi magro), que estão em patamares historicamente altos, também ajudaram a achatar a margem do pecuarista.
“Estes sempre serão os maiores desafios do setor: diminuir custos e aumentar a rentabilidade dos produtores”, sublinha o presidente da FAESC.
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