Estudos brasileiros orientam novos protocolos de aclimatação de leitoas
A construção de plantéis mais estáveis passa pela forma como as leitoas de reposição são preparadas para a realidade sanitária da granja. (Foto: Sara Bellaver)
A construção de plantéis mais estáveis passa pela forma como as leitoas de reposição são preparadas para a realidade sanitária da granja. Com esse foco, o médico-veterinário Dr. Luciano Brandalise apresentou na tarde desta quarta-feira (12), a palestra Sincronia Sanitária: O Impacto da Aclimatização de Leitoas na Estabilidade do Plantel, durante o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), promovida pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet).
Brandalise destacou que a estabilidade sanitária não depende apenas da ausência de doenças, mas da sincronização imunológica entre os animais de reposição, o rebanho já estabelecido e os agentes circulantes. Nesse contexto, a aclimatação funciona como ferramenta para equilibrar essa transição e evitar que a entrada de novas leitoas rompa o equilíbrio sanitário do plantel.
Segundo o palestrante, a modernização da genética suína criou um contraste mais evidente entre as granjas de origem e de destino. Enquanto as unidades de genética operam com alto status sanitário, erradicação de agentes de importância econômica e monitoramento laboratorial contínuo, muitas granjas comerciais ainda são positivas para diferentes agentes ou possuem status sanitário pouco conhecido. O desafio, portanto, está em fazer essa transição sem comprometer produtividade e estabilidade.
“O destaque são os estudos de campo que realizamos nas condições brasileiras. Até então, tínhamos muitos protocolos empíricos, que não necessariamente refletiam a nossa realidade. A partir desses trabalhos, buscamos entender a dinâmica de infecção e construir um direcionamento que permitisse fazer essa sincronização sanitária sem gerar prejuízos ao plantel”, explicou Brandalise.
Os estudos foram motivados principalmente pela erradicação de Mycoplasma hyopneumoniae em granjas multiplicadoras e pela necessidade de compreender o comportamento de leitoas de alto status sanitário quando introduzidas em rebanhos positivos. A partir disso, a equipe buscou responder perguntas como quanto tempo leva para a leitoa se infectar, por quanto tempo elimina o agente, quando pode ser considerada efetivamente aclimatada e quais são os impactos dessa dinâmica sobre os resultados produtivos.
Brandalise ressaltou que a falta de informações adaptadas à realidade brasileira favorecia a utilização de protocolos definidos mais pela rotina operacional do que pela biologia dos agentes. Os estudos de campo buscaram substituir essa prática por protocolos baseados em evidências e flexíveis o suficiente para se adaptar às condições de cada granja.
Um dos pontos que chamou a atenção foi a relação entre um agente respiratório e os resultados reprodutivos. Segundo Brandalise, os trabalhos mostraram que leitoas que chegaram à primeira inseminação ainda positivas para Mycoplasma hyopneumoniae apresentaram pior desempenho reprodutivo. “Observamos impacto de aproximadamente 1,2 leitão na produtividade e, com um refinamento estatístico, essa diferença chegou a 1,9 leitão. É um resultado significativo para o produtor”, relatou. A apresentação também reforçou que fêmeas que chegaram ao momento da cobertura ainda positivas apresentaram desempenho reprodutivo inferior.
Outro resultado citado pelo palestrante envolve a aclimatação tardia. De acordo com Brandalise, fêmeas que passaram pelo processo após a cobertura apresentaram cinco vezes mais chance de ter leitões mumificados, evidenciando que os efeitos de uma transição sanitária inadequada ultrapassam a saúde respiratória e alcançam diretamente a reprodução e a qualidade da leitegada.
A análise dos estudos levou a uma mudança de perspectiva sobre as próprias leitoas de alto status sanitário. “A leitoa negativa não é o problema. O problema está na falta de protocolos adequados para fazer a transição sanitária entre a origem e o destino”, destacou. Segundo a apresentação, a dinâmica de infecção pelo M. hyopneumoniae mostrou comportamento previsível e fortemente relacionado aos dias de alojamento, reforçando que o tempo de aclimatação deve seguir a biologia do agente e não apenas o calendário operacional da granja.
Com base nos estudos realizados, o palestrante explicou que foi estruturado um programa de aclimatação sustentado por quatro pilares, envolvendo medicação, vacinação, contato com animais e manejo. Para Brandalise, esse último aspecto é especialmente importante para que o processo seja conduzido de forma consistente e adaptada à realidade de cada unidade produtiva.
INFLUENZA
Na sequência do Painel Sanidade – Saúde Respiratória, o médico-veterinário Ricardo Yuiti Nagae apresentou a palestra Influenza em Foco: Impactos e Alternativas de Controle, abordando os principais desafios relacionados à influenza suína nos sistemas de produção. A apresentação destacou os efeitos da enfermidade sobre a saúde dos suínos e sobre o desempenho produtivo dos rebanhos, além de discutir a dinâmica da doença e estratégias de prevenção e controle. O especialista também salientou a importância de medidas sanitárias capazes de reduzir perdas produtivas e fortalecer os programas de controle adotados nas granjas.
PROGRAMAÇÃO GERAL
• 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura
• 17ª Brasil Sul Pig Fair
QUINTA-FEIRA (13/08/2026)
08h30 às 09h10 – Alimentação de Precisão: Sensores, Conectividade e Eficiência Nutricional
Palestrante: Bruno Silva
09h10 às 09h30 – Perguntas
9h30 às 10h00 – Coffee Break
Painel Pessoas - Gestão e Performance
10h00 às 10h30 – Percepção vs. Realidade: Comunicação Estratégica para Mitigar Erros e Maximizar Resultados
Palestrante: Creici Lamonato
10h35 às 11h05 – Capital Humano e Sucessão: Preparando a Próxima Geração e as Equipes de Alta Performance
Palestrante: Rogério Facin
11h10 às 11h40 – O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação
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