Postado em 23 de Abril às 16h11

Educação transforma indústria e guia caminho para o futuro

SENAI/SC qualifica 23,7 mil jovens na aprendizagem industrial 
Diretor-presidente da Ogochi, Sidney Ogochi. (Foto: Débora Favretto/ MB Comunicação)
“Sem um processo educacional forte, não há crescimento nem desenvolvimento”, afirma o diretor-presidente da Ogochi, Sidney Ogochi, ao comentar a aprendizagem industrial do SENAI/SC, da qual a empresa é parceira na formação de jovens para o mercado de trabalho. O programa faz parte das estratégias da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) para a qualificação profissional.
 Em 2025, o SENAI/SC formou 23,7 mil jovens na aprendizagem industrial, alta de 11,6% em relação aos 21,2 mil registrados em 2024. Entre os formados estão Letícia Baldisseira Bellei, de 18 anos, e Kauan Moraes, de 16, que atuam na Ogochi e relatam que o programa contribuiu para desenvolvimento profissional, definição de carreira e oportunidades de crescimento dentro da empresa.
O diretor-presidente da Ogochi frisa que para empresas com valores e propósito, o primeiro contato do jovem com a indústria tende a deixar um repertório duradouro, com reflexos em oportunidades e perspectivas de vida. Ele também salienta que a própria dinâmica industrial com processos definidos, organização interna e interação constante com pessoas e mercado cria um ambiente de aprendizado prático, que ele descreve como uma escola de negócios. No caso da Ogochi, o executivo pontua que a formação de mão de obra é uma necessidade permanente. “Desde o início da empresa, há 35 anos, esse propósito se mantém. Estamos em uma região sem tradição na indústria têxtil, então sempre precisamos formar mão de obra”.
Para Sidney, a FIESC tem papel central no desenvolvimento do estado e atua como referência nacional por reunir iniciativas que fortalecem a competitividade industrial. Na leitura do empresário, programas como o Jovem Aprendiz ampliam o acesso do jovem ao mercado formal e funcionam, antes de tudo, como um processo educacional. “Antes mesmo da indústria, há um grande ganho comportamental. Quando o jovem entra em uma organização com valores e propósito, que agrega à sociedade, o resultado é extremamente positivo. Passamos a formar cidadãos com mais oportunidades e perspectivas de vida,” destaca. O trabalho, para ele, contribui para formar atitudes e habilidades sociais, como convivência, respeito, liderança e relacionamento interpessoal, são ganhos que vão além da função exercida.
APRENDIZES
Letícia relata que não se imaginava trabalhando na indústria até participar do processo seletivo para o programa de aprendizagem da Ogochi. Entrevistada no fim de 2024, ela iniciou as atividades em 2025, com atuação no setor de Recursos Humanos. A adaptação, de acordo com a jovem, ocorreu de forma gradual: o que começou com receio deu lugar para o interesse ao perceber que a rotina industrial não se limita à produção e envolve áreas administrativas pouco visíveis para quem está fora, como logística, administração e apoio corporativo. Ainda em 2025, ela foi efetivada como auxiliar de serviços administrativos e, mais recentemente, promovida a assistente administrativa.
A experiência no SENAI aparece como um dos pilares dessa trajetória, ao combinar conteúdos técnicos e competências comportamentais. Letícia afirma que as aulas ampliaram a compreensão sobre o funcionamento da indústria antes mesmo do início da prática na empresa, com atividades que exigiam apresentações e estimulavam a comunicação e a troca com colegas que já tinham vivência em áreas produtivas. “Eu gostei muito das aulas desde o início, porque aprendíamos coisas que não fazíamos ideia sobre a indústria e a variedade de setores que é possível trabalhar”, conta sobre a aprendizagem industrial.
A jovem também ressalta a troca com colegas e a preparação para o ambiente corporativo. “Desde o início, os professores ajudaram muito, inclusive na postura profissional”. Entre os conteúdos que mais fizeram diferença, Letícia aponta a ética, além de noções sobre logística, almoxarifado e expedição, que ampliaram sua visão de processos, mesmo sem atuação direta nessas áreas.
Kauan comenta que entrou cedo no mundo do trabalho, aos 14 anos, em busca de crescimento e para mudar a própria realidade. Ele conta que iniciou pela aprendizagem em costura industrial e, depois, migrou para gestão de materiais, movimento que ajudou a ampliar sua visão sobre as possibilidades de carreira dentro da indústria. “A visão que eu tinha vinha das pessoas que já trabalhavam na indústria. Não tinha noção dos processos. Então, quando surgiu a oportunidade, veio o interesse em entender como tudo funcionava de verdade. Essa curiosidade foi fundamental para meu crescimento”.
A aprendizagem industrial teve impacto direto tanto na qualificação técnica quanto no desenvolvimento pessoal de Kauan. O principal avanço, segundo ele, foi na comunicação. “Eu era muito introvertido, tinha vergonha de me apresentar e o curso ajudou a transformar a minha oratória até dentro de casa”.
 Para Kauan, o modelo funciona pela combinação entre formação e vivência. “O SENAI traz o conhecimento e a empresa traz a prática, mas o resultado depende da iniciativa individual.” Entre os desafios, ele aponta a necessidade de adaptação à rotina e de disciplina, aprender a organizar o tempo e lidar com responsabilidades. Ele também relembrou o efeito do primeiro salário na vida familiar, o qual permitiu ajudar em casa. “Foi uma experiência diferente. No começo, a gente não sabe nem como usar. Mas foi muito importante, porque consegui ajudar e conquistar minhas coisas”, finaliza.
  • MB Comunicação Empresarial e Organizacional - Letícia Baldisseira Bellei, de 18 anos. (Foto: Débora Favretto/ MB Comunicação)
  • MB Comunicação Empresarial e Organizacional - Kauan Moraes, de 16 anos. (Foto: Débora Favretto/ MB Comunicação)
  • MB Comunicação Empresarial e Organizacional - Para Sidney, a FIESC tem papel central no desenvolvimento do estado e atua como referência nacional por reunir iniciativas que fortalecem a competitividade industrial. (Foto: Ogochi/Divulgação)
  • MB Comunicação Empresarial e Organizacional - Para Sidney, a FIESC tem papel central no desenvolvimento do estado e atua como referência nacional por reunir iniciativas que fortalecem a competitividade industrial. (Foto: Ogochi/Divulgação)

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