Do campo à pista, ovinocultura catarinense ganha espaço na Expomerco
Produtores de Chapecó apresentaram animais, projetos de expansão e novos mercados, com apoio do Sebrae/SC para qualificação técnica e fortalecimento da cadeia
Exemplar de ovino Corriedale naturalmente colorido apresentado na Expomerco 2026. (Foto: Bruna Roman/MBComunicação)
A ovinocultura catarinense ocupou espaço de destaque na Expomerco 2026 com genética, produção, mercado e perspectivas de crescimento. Entre os participantes estavam dois produtores de Chapecó que levaram à feira experiências distintas, mas conectadas pelo mesmo desafio: transformar conhecimento técnico em escala, qualidade e renda.
De um lado, omédico-veterinário e produtor rural de Las Piedras, Vagner Schneid, estrutura uma propriedade para avançar na criação e na compra de cordeiros. De outro, Evandro Klein, da Cabanha do Prata,apresentou animais da raça Corriedale naturalmente colorida, segmento de menor oferta e com valorização da lã para artesanato.
O Sebrae/SC participou dessa construção com orientação técnica aos produtores e apoio à programação voltada à ovinocultura. Para o gestor de projetos estadual de ovinos e caprinos do Sebrae/SC, Filipi Andrade, a presença na feira aproximou produtores de conhecimento, mercado e novas referências para a atividade.
“Promovemos o acesso dos produtores da ovinocultura e da caprinocultura à feira e também apoiamos duas palestras voltadas ao setor. A Expomerco mostrou a genética que Santa Catarina possui, o potencial da atividade e os resultados econômicos que ela pode proporcionar aos produtores”, afirma.
ESCALA PLANEJADA
Na propriedade de Vagner Schneid, em Chapecó (SC), a ovinocultura começou há poucos anos e já entrou em uma etapa de planejamento para expansão. A área tem cerca de 60 mil metros quadrados e recebe assistência técnica vinculada ao Sebrae/SC, por meio coordenador da Câmara Setorial de Ovinos e Caprinos de Santa Catarina, Paulo Gregianin.
Segundo Vagner, o acompanhamento reúne orientações de manejo, sanidade e planejamento de médio e longo prazo. A proposta agora é avançar para uma estrutura de confinamento com capacidade para 300 animais.
“Nosso projeto é criar uma estrutura que possa absorver também a produção de pequenos produtores da região. A ideia é concentrar esses animais e direcioná-los para o abate em plantas frigoríficas com inspeção, o que dá mais segurança, credibilidade e qualidade à produção”, explica.
O produtor levou três animais à Expomerco. Para ele, a orientação técnica contribuiu não apenas para o crescimento do próprio rebanho, mas também para a organização regional da cadeia. “O trabalho do Sebrae/SC foi e é muito importante para a consolidação e o aumento do plantel. Ele ajuda a organizar a produção com informação técnica e estratégia, algo essencial para quem pretende crescer de forma estruturada”, destaca.
COR QUE AGREGA VALOR
Na Cabanha do Prata, também em Chapecó, Evandro Klein trabalha com exemplares de Corriedale naturalmente coloridos, conhecidos como NC. Os animais participaram das exposições com a lã preservada e passaram por preparação específica antes dos julgamentos.
Evandro explicou que, antes de entrar em pista, a lã é aberta e organizada para valorizar as características do animal. As categorias são separadas por sexo e idade, e o julgamento considera os padrões definidos para a raça.
A principal diferença está justamente na coloração natural. Enquanto o Corriedale tradicional tem lã branca, o NC apresenta tonalidades naturais e atende a um nicho específico, principalmente no artesanato.
Segundo o produtor, a lã naturalmente colorida pode alcançar, depois de lavada, valores entre R$ 60 e R$ 70 por quilo. A oferta ainda é restrita, especialmente entre as matrizes. “É um material mais escasso e com mais valor agregado. Hoje, quem tem matriz normalmente não vende, porque o rebanho ainda é pequeno. Há machos disponíveis, mas o número de fêmeas é reduzido”, relata.
DA GENÉTICA AO MERCADO
Para Filipi Andrade, experiências como as apresentadas na Expomerco ajudam a mostrar que a ovinocultura pode avançar em diferentes frentes, desde a seleção genética até a comercialização de carne e lã.
O trabalho estadual, desenvolvido em parceria com o Governo de Santa Catarina, concentra esforços na qualificação dos produtores e no desenvolvimento da atividade. Na feira, além da participação dos criadores, o Sebrae/SC apoia palestras técnicas destinadas ao setor.
“A genética apresentada aqui mostra o nível que Santa Catarina alcançou. Ao mesmo tempo, vemos produtores que já pensam em mercado, escala e agregação de valor. Esse conjunto é o que permite à atividade avançar de forma mais consistente”, afirma.
A Expomerco, nesse contexto, funcionou como vitrine para modelos produtivos distintos: do animal preparado para a pista ao cordeiro destinado ao mercado; da lã diferenciada ao planejamento de estruturas capazes de receber a produção regional. Para os produtores, foi também um espaço de comparação, aprendizado e contato com novas possibilidades para a propriedade.
SOBRE O SEBRAE
O Sebrae/SC comemora, em 2026, 53 anos de dedicação ao fortalecimento dos pequenos negócios e ao fomento do empreendedorismo em Santa Catarina. Com presença em todas as regiões do Estado, a instituição oferece soluções que impulsionam o desenvolvimento econômico e social, apoia milhões de empreendedores ao longo de sua trajetória. Reconhecido nacionalmente, o Sebrae é hoje a 4ª marca mais valiosa do país, com um ativo de R$ 33,9 bilhões, reflexo de sua credibilidade, impacto e compromisso com a transformação dos territórios onde atua. Em Santa Catarina, o Sebrae é parceiro estratégico de quem faz o estado crescer.
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