Postado em 09 de Setembro às 10h18

Da lavoura ao próprio negócio

Aos 60 anos, empreendedora de Nonoaí sustenta a família com uma tenda de produtos coloniais construída com trabalho e acesso ao microcrédito

Aos 60 anos, Eloiva de Oliveira, vende produtos coloniais no Tope da Serra, em Nonoaí e projeta novos investimentos no local (Keli Magri/MB Comunicação)

No alto do Tope da Serra, em Nonoaí, no norte do Rio Grande do Sul, Eloiva de Oliveira, 60 anos, recebe diariamente moradores, viajantes e caminhoneiros em uma tenda de produtos coloniais instalada às margens da estrada. No balcão e nas prateleiras, reúne itens produzidos na propriedade, alimentos preparados pela família e produtos adquiridos de fornecedores da região.
          O endereço tem um significado especial para a empreendedora. Foi naquela mesma área que, anos atrás, quando ainda trabalhava na lavoura, ela imaginou o futuro que gostaria de construir. “Essa chácara ainda será minha e eu vou crescer aqui”, dizia a si mesma.
          O desejo se concretizou. Hoje, a propriedade e a tenda representam a principal fonte de renda de Eloiva e também contribuem para o sustento das filhas, Raíssa e Sandra, e dos netos.
          Nascida em Chapecó, Eloiva mudou-se com a família para Nonoaí aos sete anos. Cresceu em meio ao trabalho rural e, durante parte da vida adulta foi agricultora. Depois, trabalhou na cozinha de um restaurante do município. As duas experiências ajudaram a formar o conhecimento que hoje aplica no próprio negócio: a relação direta com a produção rural e a familiaridade com a comida caseira.
          Na tenda, boa parte dos produtos mantém essa ligação com a propriedade e com a produção artesanal. A cana-de-açúcar dá origem ao caldo de cana e ao açúcar mascavo comercializados no local. A cachaça de alambique também é produzida na propriedade. Completam a oferta banha de porco, mel, leite, pães, cucas, frutas da estação, queijo, salame, grostoli, salgadinhos de palito e trufas preparadas pela filha Raíssa. O vinho colonial, trazido de Erechim, também integra o mix de produtos.
          A maior parte da clientela é formada por pessoas que circulam pela rodovia, especialmente caminhoneiros. Eloiva aprendeu a reconhecer o que esse público procura nas paradas ao longo do caminho. “Meus clientes são do trecho, principalmente caminhoneiros. Eles não gostam de luxo, gostam de comida caseira”, afirma.
          CRÉDITO ABRIU CAMINHOS
          Se a determinação foi indispensável para concretizar o sonho, Eloiva também precisou de capital para tirá-lo do papel. Em 2014, decidiu construir a tenda e procurou crédito em diferentes instituições financeiras. Recebeu sucessivas negativas. A dificuldade expôs um dos obstáculos mais conhecidos por quem pretende começar um pequeno negócio: o acesso a recursos quando ainda não há estrutura, patrimônio ou histórico empresarial suficiente para atender às exigências do sistema financeiro tradicional.
          Foi nesse momento que chegou à Credioeste. A instituição analisou o projeto e concedeu o primeiro crédito, de R$ 5 mil. O recurso permitiu que Eloiva desse os passos iniciais para colocar a tenda em funcionamento.
          Dois anos depois, em 2016, veio uma nova operação, desta vez de R$ 8 mil. O dinheiro ajudou na construção de uma casa de madeira, com sete metros por oito, anexa ao empreendimento, destinada a Eloiva e às filhas. Em 2018, um terceiro crédito, de R$ 10 mil, permitiu concluir a residência e construir o banheiro.
          Outras quatro operações vieram ao longo dos anos. Os recursos financiaram o piso da tenda, reformas, ampliação do espaço e novos investimentos tanto no negócio quanto na casa. Ao todo, foram sete operações de crédito que acompanharam diferentes etapas da construção de um patrimônio familiar.
          Eloiva faz questão de destacar o apoio da agência. Para ela, tão importante quanto o recurso recebido foi a confiança que encontrou quando ainda tinha pouco além de um projeto e disposição para trabalhar. “Não teria conseguido sem a Credioeste. Eles confiaram em mim quando ninguém mais confiou. Sempre que preciso, sei que posso contar com eles”, ressalta.
          NOVOS INVESTIMENTOS
          Eloiva, porém, não considera sua obra concluída. Entre os projetos estão a construção de um deck para oferecer mais conforto aos clientes durante o verão, a venda de pastel acompanhado de caldo de cana e a produção de almoço caseiro para quem passa pela estrada.
          Outro plano tem dimensão ainda mais pessoal: reunir as duas filhas no empreendimento. Raíssa já participa da produção de alguns itens, enquanto Sandra trabalha fora. Eloiva espera que, no futuro, ambas possam encontrar na tenda a mesma perspectiva de sustento e independência que ela construiu ao longo dos anos.
          A tenda é o lugar que Eloiva imaginou antes mesmo de poder chamá-lo de seu. Agora, enquanto pensa no próximo investimento, ela repete em outras palavras a convicção que a acompanhou desde os tempos da lavoura: “Aqui construí minha vida, criei minhas filhas e meus netos. Quero continuar crescendo junto com eles”.

Veja também

Atendimento especializado19/10/21 Centro de Infusão de Medicamentos Especiais é incorporado ao Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Unimed...

Voltar para (Blog)