Da indústria para a indústria: caminhos para ampliar a produtividade e a competitividade
Cases de empresas da região mostram como a organização de processos, a transformação digital e as práticas de ESG podem gerar resultados nos negócios
Terceira edição do Seminário Desvendando a Eficiência Operacional em Chapecó. (Foto: Débora Favretto/MB Comunicação)
Identificar desperdícios, integrar informações e transformar dados em decisões são desafios que conectam indústrias de diferentes portes e segmentos. Esses temas foram abordados na terceira edição do Seminário Desvendando a Eficiência Operacional em Chapecó, realizada na terça-feira (20), na Chácara do Cris.
Promovido pelo Instituto SENAI de Tecnologia em Excelência Operacional de Santa Catarina, o encontro reuniu empresários, gestores e profissionais da indústria para compartilhar experiências de produtividade, transformação digital e sustentabilidade. A proposta foi aproximar os participantes de soluções aplicáveis à rotina das empresas, desde a organização do chão de fábrica até a integração da sustentabilidade à estratégia dos negócios.
O coordenador do Instituto SENAI de Tecnologia em Excelência Operacional, Fábio Liz, pontuou o caráter prático do encontro e convidou os participantes a refletir sobre quais aprendizados poderiam aplicar no retorno às empresas. O gerente do SESI SENAI das regionais Oeste e Extremo Oeste, Jardel Carminatti, ressaltou a diversidade industrial da região e a importância da troca de experiências. Também agradeceu às empresas que compartilharam suas práticas e destacou a presença de participantes de diferentes municípios do Oeste e do Extremo Oeste catarinense.
Na palestra “Tecnologia, transformação digital e os próximos saltos de produtividade da indústria: o que vai separar quem lidera de quem fica para trás?”, Fábio Liz chamou a atenção para perdas que nem sempre aparecem nos indicadores financeiros, como esperas, retrabalho, movimentações desnecessárias, equipamentos subutilizados e demora na tomada de decisões.
O especialista mencionou que produtividade exige avaliar a direção dos esforços, além do ritmo de trabalho. “Será que estamos correndo na direção certa? Porque tenho certeza de que correndo todo mundo está”, questionou. Para o coordenador do Instituto SENAI de Tecnologia em Excelência Operacional, melhorar o desempenho exige compreender quais atividades agregam valor ao cliente e quais representam desperdícios. Nesse processo, a tecnologia precisa estar associada à revisão das operações. “Se eu pegar uma operação que é desperdício e colocar um robô para fazer, qual é a vantagem? É só fazer o desperdício mais rápido ou mais automatizado”, alertou. O acompanhamento de indicadores permite tornar essas perdas visíveis e orientar melhorias.
Os diretores da Plásticos Pasquali, Flávio Pasquali e André Galli Pasquali, apresentaram a palestra “Transformação digital: onde estamos e qual é o próximo passo? Como avaliamos a maturidade digital da indústria e construímos uma jornada de transformação consistente”.
A empresa de Chapecó iniciou sua aproximação com o SENAI após participar da edição anterior do seminário. Na ocasião, Flávio identificou desafios semelhantes aos enfrentados pela indústria. Com controles em planilhas, apontamentos manuais e informações descentralizadas, a empresa buscou apoio para avaliar sua maturidade digital e definir prioridades. Atualmente, desenvolve projetos de melhoria de processos e transformação digital, com implantação e integração de sistemas, digitalização dos registros de produção e estruturação de indicadores.
André enfatizou que a jornada começa pela compreensão das necessidades da operação e pelo envolvimento da equipe. “As pessoas fazem a diferença no processo. Todo mundo alinhado, todo mundo sabendo aonde quer chegar”, afirmou. O objetivo é conectar o chão de fábrica à gestão, ampliar a rastreabilidade e disponibilizar informações mais confiáveis para as decisões.
USINAGEM
Na sequência, o diretor da Usinox, Lázaro Luiz Hemeque, e o supervisor de Usinagem, Giovanni Luiz Vivan, apresentaram o trabalho de identificação e redução de desperdícios na empresa, que fabrica equipamentos para o processamento de proteína animal. A parceria com o SENAI envolveu diagnóstico dos processos, organização do setor, padronização de atividades e acompanhamento dos tempos de produção e de preparação das máquinas. Com a evolução do projeto, os registros passaram a ser digitalizados, permitindo aos operadores consultar informações, orientações e a sequência de produção em tablets.
Conforme os dados apresentados, a eficiência do mesmo grupo de equipamentos passou de 29,5% para 39,5%, um avanço de aproximadamente 33%. O acompanhamento também passou a orientar investimentos, treinamentos e avaliações com as equipes. A experiência reforçou a possibilidade de extrair melhores resultados da estrutura existente por meio da organização dos processos e do uso das informações.
SUSTENTABILIDADE
A gerente executiva de RH e ESG da Master Agroindustrial, Cristiane Zonta Andreola, abordou como as práticas ambientais, sociais e de governança podem fortalecer os negócios. A apresentação relacionou sustentabilidade à eficiência, ao acesso a mercados, ao desenvolvimento das pessoas e à geração de valor para as comunidades. A jornada da empresa com o Instituto SENAI começou em janeiro de 2024 e incluiu diagnóstico de maturidade em ESG, consulta às partes interessadas para definição de temas prioritários, estruturação de políticas e publicação de relatórios de sustentabilidade no padrão internacional GRI.
Cristiane destacou que a sustentabilidade precisa fazer parte da identidade e do planejamento da organização, com compromissos acompanhados de ações e resultados. Entre as iniciativas apresentadas estiveram investimentos sociais, participação dos trabalhadores nos resultados e ações de gestão ambiental e desenvolvimento profissional.
A programação também contemplou um painel interativo com representantes das empresas, mediado pelo líder de Negócios e consultor sênior do Instituto SENAI de Tecnologia em Excelência Operacional, André Teixeira. O seminário contou com apoio da Dashzoom e ingresso solidário, com doações de alimentos destinadas à Associação de Voluntários do Hospital Regional do Oeste.
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