Como a Inteligência Artificial pode contribuir para a tomada de decisões no setor da avicultura
O médico veterinário e diretor estratégico de marketing e tecnologia na Cargill Animal Nutrition Latam Sul, Marcelo Dalmagro, e a médica veterinária e gerente de marketing estratégico e tecnologia na Cargill, Juliana Batista.
Já parou para pensar que uma máquina de lavar trouxe a Inteligência Artificial aplicada ao dia a dia? Essa foi a provocação feita para o público do 14º Simpósio Técnico da ACAV – Incubação, Matrizes de Corte e Nutrição no período da tarde desta quarta-feira (30), no Centro de Convenções (CentroSul), em Florianópolis (SC). Quem fez a pergunta foi o médico veterinário e diretor estratégico de marketing e tecnologia na Cargill Animal Nutrition Latam Sul, Marcelo Dalmagro, e a médica veterinária e gerente de marketing estratégico e tecnologia na Cargill, Juliana Batista.
Com a palestra “Inteligência Artificial – o que já está mudando na agroindústria”, a dupla reforçou que a IA está presente nos produtos e nas ações que a indústria, em geral, traz para a rotina da população. E a mesma ferramenta pode – e deve – ser utilizada para solucionar os problemas e contemplar as demandas da agroindústria. “É preciso pensar diferente com direcionamento à tomada de decisão, ficar parado não é uma opção, precisamos ter os dados ao nosso alcance, para analisá-los e decidir como seguir com nossas empresas”, afirmou Dalmagro.
Batista, por sua vez, reforçou a importância da tomada de decisão. “Conhecer os dados e saber como aplicá-los no dia a dia das nossas empresas está no cerne da Inteligência Artificial. E, respondendo à questão da máquina de lavar, basta pensarmos como era lavar roupa antes da máquina e como é atualmente; ela faz tudo, mede a quantidade de água, sabe quando colocar cada componente da lavagem. Nossa proposta é trazer o mesmo entendimento em relação à IA no plantel”, disse.
Ainda segundo os médicos veterinários, entre as demandas que a ferramenta pode solucionar estão: 1) melhorar o planejamento de abate; 2) como gerenciar o estoque de ração à distância; 3) como usar a microbiota a favor do desenvolvimento das aves. As aplicações para o segmento da avicultura são as mais diversas, para saber o peso das aves, por exemplo, é possível utilizar uma IA de videogame, a chamada visão computacional. A partir dela, é possível transformar a imagem em números e definir o peso das aves e em qual estágio de desenvolvimento elas estão.
É possível, também, fazer o mapeamento 3D do silo, que fornece mais de 9.000 pontos de detalhes, para que seja possível controlar o armazenamento de ração, por exemplo. A estimativa, é de que em 2026 a IA administre cadeias completas de fornecimento de ração.
No entanto, eles observam, também, que a quantidade de informação pode cegar. Por isso, é importante pensar e agir diferente. “A tecnologia não será o fator limitante, e implementá-la é inovar sim, mas de forma mais lenta, talvez difícil e dolorosa”, afirmou Dalmagro. “A Inteligência Artificial é um objetivo estratégico, é preciso olhar o mesmo problema sob diferentes perspectivas para saber como e onde implementar essa ferramenta, que é nossa porta para o futuro”, complementou Batista.
PROGRAMAÇÃO CIENTÍFICA
Quem deu continuidade às palestras, foi o engenheiro agrícola e mestre em Mecanização e Tecnologias Agrícolas Eduardo Romanini, com o tema “Pontos-chaves na incubação dos embriões modernos”. Na sequência, o engenheiro eletrônico e diretor de serviços e de equipamentos de vacinação para aves e suínos para os EUA e Canadá na Ceva Sante Animale, Fabio Moreira de Souza palestrou sobre “Evolução no processo de automação e as dificuldades na qualificação de pessoas”.
O evento segue até quinta-feira (31). Mais informações estão disponíveis no instagram.com/acavsc.
Marcelo Dalmagro e Juliana Batista
Palestra “Inteligência Artificial – o que já está mudando na agroindústria”
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