Postado em 27 de Abril às 09h47

A biosseguridade na suinocultura catarinense

Conselheira do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (ICASA)

LUCIANE SURDI Conselheira do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária

Quando falamos em biosseguridade, estamos tratando de um conjunto de medidas para evitar a entrada e a disseminação de agentes causadores de doenças no plantel de suínos que pode levar a grandes perdas para a sanidade suína e para a economia do nosso estado. A biosseguridade na suinocultura não é “mais uma exigência técnica” — ela é o que separa uma produção sustentável de uma atividade ameaçada por prejuízos sanitários e econômicos. Uma doença pode entrar pelo detalhe que foi ignorado.                                                     
Com este propósito entrou em vigência em 8 de novembro a Portaria SAPE 50 que estabelece as normas operacionais para a execução do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense.
A pergunta que todo o suinocultor deve estar fazendo é “por que fazer biosseguridade?” Doenças como a Peste Suína Africana, Peste Suína Clássica, Doença de Aujeszky tem alto impacto sanitário e econômico. Um único foco pode levar à perda total do plantel e até bloqueios sanitários. Com boas práticas, há menor risco de introdução de doenças, menos mortalidade, melhor conversão alimentar e menor gasto com tratamentos, garantindo produtividade e eficiência. Animais mais saudáveis crescem mais rápido, tem melhor ganho de peso e menores taxas de descarte.
A biosseguridade trata de um conjunto de medidas para evitar a entrada e a disseminação de agentes causadores de doenças no plantel. As medidas incluem o controle de acesso, manejo adequado dos animais e resíduos gerados, limpeza, desinfecção, vazio sanitário, controle de trânsito de pessoas e veículos.
Conforme prevê a Portaria SAPE 50, as regras básicas de biosseguridade como pequenos ajustes como troca de roupas e calçados, desinfecção de veículos, controle de roedores, restrição de visitas e qualidade da água já estão vigentes. São ações fundamentais para manter um plantel de suínos com bom desempenho e com ausência de doenças.
Além disso o suinocultor deve adequar seu estabelecimento com cercas, portões, cuidados com a ração e destino adequado de carcaças. Para estas adequações deverá contar com apoio de um médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica - Senar/Faesc, no caso de produtores independentes. 
O Icasa, através da sua equipe de médicos veterinários e analistas ambientais, está auxiliando o suinocultor nas orientações sobre a biosseguridade, nos ajustes de cadastro e nas estratégias em cada região do estado. 
A portaria estabelece prazos para que granjas preexistentes se ajustem às novas medidas, variando da vigência até 12 a 24 meses, dependendo da adequação. Para garantir que os pequenos produtores possam se adequar às exigências foi criado o Programa Biosseguridade Animal SC, que prevê financiamentos de até R$ 70 mil por granja, com subvenção de até 40%, além de um ano de carência e pagamento em cinco parcelas anuais. Para maiores informações os suinocultores deverão procurar e escritório local da Epagri de seu município.
Atender exigências de mercado - Mercados exigentes não compram de regiões com risco sanitário. Países e empresas importadoras exigem rastreabilidade e protocolos sanitários rigorosos.   Santa Catarina é reconhecida internacionalmente justamente pelo controle sanitário — e isso só se mantém com disciplina em biosseguridade, com mercados que somente nosso estado atende.
Fazer biosseguridade é garantir renda ao produtor, é manter mercados abertos e evitar crises sanitárias. Quem investe em biosseguridade colhe sanidade, produtividade e mercado. Isto não é custo — é seguro produtivo.

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