Postado em 25 de Março às 15h56

Cenários econômicos em debate no Seminário Estadual de Líderes Rurais

A análise dos cenários econômicos mais prováveis no curto prazo foi objeto de debate no Seminário Estadual de Líderes Rurais que reuniu, na última semana, em Florianópolis, uma centena de dirigentes de Sindicatos Rurais. A iniciativa foi da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e o Seminário foi coordenado pelo presidente José Zeferino Pedrozo.

O consultor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e diretor de economia e mercados da LCA Consultores Luis Henrique Suzigan abordou o tema “Cenário macroeconômico para 2019 e 2020: Desafios e Perspectivas”. O palestrante tem formação pela Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pós-graduação pela Universidade Nacional de Brasília (UnB), é especialista em análise de economia internacional e mercados financeiros. 

Suzigan expôs que são variados os cenários que podem se impor nos próximos meses. Nesse momento, as principais premissas do cenário-base são duas. De um lado, o ambiente externo menos favorável, “mas não francamente desfavorável”. De outro lado, articulação política via grupos de interesse limitando, ainda que em escala modesta, a qualidade e a extensão de reformas e programas de privatização.

Suzigan colocou que os principais riscos do cenário-base são um cenário externo com menor crescimento mundial, algum enxugamento de liquidez; ausência de injeções pontuais de recursos (FGTS, PIS/PASEP, etc.), menor reajuste do salário mínimo, situação fiscal muito delicada, especialmente nas contas estaduais e frustração com ajustes do novo governo. Forças favoráveis também podem prosperar, com a melhora das condições financeiras, inflação e juros baixos, recuperação do crédito e emprego, produzindo um impacto positivo sobre confiança e o andamento das reformas.


As avaliações do economista levaram em conta duas perspectivas possíveis: a de um cenário benigno e a de um cenário adverso. Para a construção de um cenário positivo, é condição que o Governo priorize a agenda econômica e retome alianças partidárias; a base de apoio no Congresso crie espaço para aprovação de reformas mais amplas (previdenciária e tributária), em conjunto com o andamento da agenda microeconômica e dos programas de privatização. Paralelamente, ocorreria queda do Risco-Brasil, aumento da confiança, inflação controlada, juros em patamar baixo e melhora do mercado de trabalho, contribuindo para uma recuperação mais consistente da atividade já em 2019.

O consultor expôs que, em um cenário negativo (adverso), a formação de base apoiada em bancadas (e não em partidos) não funcionaria muito bem, levando à formação de maioria frágil no Congresso e ambiente de constante confrontação (pauta dos costumes em detrimento da pauta econômica). A “Lua de mel” acabaria mais cedo e popularidade entraria em rápido declínio. O frágil “otimismo cauteloso” se transformaria em “frustração” e mercados se estressariam.

Luis Suzigan mostrou que a fragilização política exige muita negociação e concessões no processo de votação de reformas e privatizações, cujos resultados acabam sendo frustrantes (não produzindo efeitos positivos de médio e longo prazo na situação fiscal). Governabilidade fica mais difícil sem apoio do aparato da máquina pública. Conflitos com imprensa e judiciário geram queda de confiança. Manutenção de cenário de baixo crescimento ou estagnação por todo o mandato.

Na sequência, o diretor de administração e finanças do Sebrae/SC Anacleto Ângelo Ortigara explanou o tema “Motivação para o sucesso. Trabalhar com propósito”. Graduado em Administração pela Fundação do Ensino do Desenvolvimento do Oeste, mestre em Administração e doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina, Ortigara é pós-graduado em Gestão de Pessoas pela FURB. Antes de assumir a Diretoria de Administração e Finanças do Sebrae/SC, foi Diretor Técnico da instituição por quinze anos. Professor e pesquisador da Universidade do Oeste de Santa Catarina, tem experiência nas áreas de Administração e Gestão de Pessoas, atuando principalmente nos seguintes temas: empreendedorismo, desenvolvimento organizacional e inteligência competitiva.

O Seminário Estadual de Líderes Rurais foi patrocinado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC). 

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